O futuro do mercado de trabalho: projeções para a próxima década

Entenda o futuro do mercado de trabalho

Quem acompanha o mercado está percebendo as mudanças que ele tem sofrido. Com a globalização, uma maior competição entre os negócios surgiu e as empresas têm sido demandadas a terem uma produtividade cada vez maior, ao passo que devem reduzir seus custos operacionais.

Além disso, a tecnologia tem avançado bastante e trazido novidades incríveis em questão de segundos. Com isso, você pode estar ponderando qual é o futuro do mercado de trabalho e como isso vai impactar os processos de RH da sua empresa, não é mesmo?

Por isso, neste post, vamos fazer um panorama amplo para que você se prepare para as novidades do futuro. Começaremos explicando quais são as principais mudanças no mundo que gerarão desafios para o mercado de trabalho na próxima década.

Afinal de contas, há muita coisa acontecendo: a população mundial está envelhecendo, a tecnologia se desenvolve exponencialmente e até mesmo as mudanças climáticas se apresentam como um novo desafio.

Depois disso, vamos explorar a nova era do RH frente a essas mudanças, abordando as inovações do setor para a próxima década, uma vez que o ambiente social se modificará bastante e esse é o setor da empresa que mais deve se preparar para isso. Após isso, vamos falar ainda sobre 5 profissões que deverão surgir no futuro para responder às novas demandas empresariais.

Por fim, vamos dar algumas dicas para atrair os talentos da geração dos Millennials para os quadros da sua empresa, visto que serão eles que comporão a força de trabalho nos próximos anos.

O que impulsionará as mudanças no mercado de trabalho na próxima década?

O mercado de trabalho não se modifica sozinho. Na verdade, ele é sempre uma resposta às necessidades humanas! Então, à medida que mudanças sociais, econômicas, climáticas e tecnológicas surgem, novas profissões vão surgindo enquanto outras desaparecem.

Já parou para pensar que, há 100 anos, dificilmente alguém pensaria que os computadores dominariam nosso cotidiano e dariam origem a uma grande área de trabalho, a tecnologia da Informação?

Por isso, separamos a seguir o que há de mais relevante no cenário mundial que pode impactar o mercado de trabalho:

Avanços tecnológicos

Automação, robótica e Inteligência Artificial (IA) estão se desenvolvendo rapidamente, mudando drasticamente a natureza e o número de vagas de emprego disponíveis. A tecnologia tem o poder de melhorar nossas vidas, aumentando a produtividade e os padrões de vida. Assim, as pessoas estão cada vez mais livres para se concentrarem na realização pessoal.

Urbanização rápida

Nos últimos anos, tem havido um aumento significativo da população mundial que se desloca para viver nas cidades. Em 2030, a ONU projeta que 4,9 bilhões de pessoas viverão no ambiente urbano. Até 2050, projeta-se a população urbana mundial aumentará em cerca de 72%.

Atualmente, muitas das maiores cidades do mundo têm PIBs maiores que os países de tamanho médio. Nesse novo mundo, as cidades serão agentes importantes para a criação de empregos.

Mudanças demográficas

Haverá muitas mudanças de tamanho, distribuição e perfil etário da população mundial. Com algumas exceções regionais, a população mundial envelhece, pressionando os negócios, as instituições sociais e as economias. O aumento da nossa longevidade logo afetará os modelos de negócios, ambições de talento e custos de aposentadoria.

Trabalhadores mais velhos precisarão aprender novas habilidades e trabalhar por mais tempo. O “Re-tooling” se tornará a norma. Já a escassez de mão de obra humana em uma série de economias em rápido crescimento impulsionará a necessidade de melhorias de automação no trabalho e produtividade.

Mudanças no balanço de poder econômico mundial

As nações em rápido desenvolvimento — em particular as que possuem uma grande população em faixas etárias produtivas — que adotam um ethos de negócios, isto é, atraem investimentos e melhoram o sistema educacional, ganharão o mercado de trabalho.

As nações emergentes enfrentarão um desafio maior à medida que a tecnologia aumenta: o desemprego e a migração continuarão a ser desenfreados sem investimentos significativos.

Escassez de recursos e mudanças climáticas

A diminuição da disponibilidade de combustíveis fósseis, um clima mais extremo e o aumento do nível do mar e escassez de água têm se mostrado um cenário futuro cada vez mais factível. Por outro lado, a demanda por energia e água deverá aumentar em até 50% até 2030.

Novos tipos de empregos em energia alternativa, novos processos de engenharia, design de produtos, gerenciamento de resíduos e reutilização deverão ser criados para lidar com essas necessidades.

As indústrias de energia tradicionais e os milhões de pessoas empregadas por elas deverão passar por uma rápida reestruturação se desejarem sobreviver.

Como será o futuro do mercado de trabalho para o RH?

São os profissionais do RH os responsáveis por perceber todas essas mudanças e transformá-las em um capital útil para o crescimento dos recursos humanos da sua empresa. Com as mudanças que explicamos acima, conseguimos imaginar como será o futuro desse setor tão importante:

O RH precisará se tornar mais como Marketing

Como exploraremos a seguir, os talentos da nova geração são mais exigentes e escolhem a dedo em quais empresas vão trabalhar. O mercado de trabalho mudou: não é mais o trabalhador que busca um emprego, e sim o empregador que procura por talentos. Por isso, o recrutamento vai se tornar mais como o marketing.

Especificamente, os recrutadores terão o papel de identificar segmentos específicos de candidatos a emprego dentro do perfil que você procura para a sua empresa. Depois disso, buscarão atraí-los com estratégias muito semelhantes ao marketing atual.

Com isso, é bem possível que o RH evolua o papel do marketing interno para incluir a coordenação de marketing social, isto é, as empresas não focarão somente em marketing para atrair novos clientes, mas também para criar uma marca reconhecida socialmente.

Dessa forma, espera-se que os talentos sejam naturalmente atraídos para a empresa. É assim que gigantes como o Google e o Facebook estão fazendo. Elas criaram estratégias de marketing social para mostrar como são preocupadas com a qualidade de vida de seus empregados, de forma que diversos talentos naturalmente dão preferência a essas empresas.

O pêndulo voltará ao especialista

Dependendo das necessidades do mercado, o perfil do profissional de RH pode mudar completamente. Quando o mercado apresenta muitas novidades de forma acelerada, há uma necessidade crescente pelos “especialistas”. Ou seja, profissionais de RH especializados em determinados segmentos empresariais e que tenham uma afinidade maior com as atividades de cada empresa.

Quando a especialização chega a seu limite, normalmente, um perfil mais generalista do RH é fundamental, uma vez que as equipes se segmentam demais e é necessário um setor para colocar tudo em ordem.

Isso será particularmente verdade para as empresas de tecnologia de informação. Por exemplo, determinada empresa poderá necessitar de desenvolvedores de softwares especializados em determinada linguagem.

Caso o recrutador não tenha o mínimo de conhecimento em linguagens de programação, ele não poderá escrutinar o candidato adequadamente.

O RH usará cada vez mais análises e dados importantes para aumentar seu valor para a empresa.

Os profissionais internos de RH precisarão adotar análises de Big Data para se tornarem líderes estratégicos em suas empresas. Na próxima década, a trajetória da carreira dos profissionais de RH será determinada mais do que nunca pela análise de dados e métricas.

Embora o RH já use algumas métricas, como taxas de volume de negócios e níveis de engajamento dos funcionários, você pode esperar para ver novos indicadores, como o prazo médio para que a equipe esteja pronta para a promoção ou a porcentagem dos principais candidatos a serem contratados dentro da organização.

Novas contratações podem ser necessárias no departamento de RH para acomodar o uso crescente de análises. As tendências atuais em Big Data fornecerão novas maneiras de o RH provar seu valor, então, podemos esperar que os departamentos de RH contratem pessoas que possam analisar e fazer projeções usando essas ferramentas para gerar mudanças.

O RH remoto será muito comum

Sem dúvida, o RH terá que enfrentar cada vez mais o desafio de gerenciar uma força de trabalho remota. As empresas precisarão alocar funcionários nos locais e períodos em que são mais produtivos, mesmo que isso signifique que estejam distantes da sede da empresa.

Mas o gerenciamento do trabalho remoto nas empresas necessita de uma estratégia de implementação, visto que a tendência para os trabalhadores remotos é um desafio crescente para os gerentes que não são eficazes na gestão de pessoas a distância.

A automação provavelmente será parte da solução. As novas tecnologias serão usadas para analisar a produtividade em vez do tempo do trabalho. Os resultados se tornarão mais importantes do que a burocracia dos processos e os negócios esperarão que o RH esteja produzindo mais análises de desempenho com base em resultados.

Quais serão as profissões do futuro?

Com tudo isso, é de se esperar que novas profissões surjam para demandas inimagináveis atualmente. Por isso, separamos 5 profissões do futuro que provavelmente vão emergir nos próximos anos devido ao crescimento de determinadas tecnologias:

Gerente de loja virtual

Os consumidores estão fazendo compras online, mas ainda desejam conexão humana. Em uma pesquisa do Google, 61% dos usuários de smartphones disseram que precisam contatar o fornecedor do produto antes de fazer compras online.

Além disso, 73% dos consumidores pensam que os anúncios virtuais devem contar uma história única da marca, em vez de simples chamadas para a compra de produto, de acordo com um estudo da Adobe e da Edelman Berland.

Mesmo que a tecnologia avance bastante, as pessoas ainda sentem necessidade do contato com outra pessoa — capaz de pensar e sentir — em vez de uma máquina tirando as dúvidas. No futuro, as marcas tentarão inserir a humanidade em seus espaços digitais, baseando suas estratégias sempre em dados fornecidos pela automação e pela robotização.

Ironicamente, precisarão de humanos para isso. Afinal, será necessário alguém para pegar toda essa informação e traduzir em uma experiência para o usuário.

Assim, será essencial o papel do gerente como alguém que engaja e encanta os clientes em um mundo em constante transformação digital, da mesma maneira que o gerente da loja de varejo.

Mediador de robôs

Os robôs estão acabando com algumas indústrias. Mas, em outras, eles realmente estão apenas tornando os humanos melhores em seus empregos. Os robôs dos armazéns da Amazon — que exploram os centros de atendimento da empresa e ajudam os trabalhadores a encontrarem e transportarem itens — são um exemplo perfeito.

À medida que as parcerias entre robôs e humanos se tornarem mais comuns, surgirão complicações, assim como a criação de possibilidades de trabalhos auxiliares surpreendentes. Alguns já existem, como é o caso do reparo de robôs. Outros, como um mediador de robôs, não.

Apesar dos temores de que a automação tire empregos, a necessidade de seres humanos habilidosos para operar, utilizar e avançar as tecnologias permanecerá inequivocamente necessária, diz Alan Stukalsky.

“Talvez os mediadores de IA sejam a próxima evolução em profissionais de saúde mental — ajudando os trabalhadores a lidar com seus colegas não humanos”.

Treinador de robôs

O aprendizado de máquina, que usa algoritmos para treinar computadores — para, digamos, fazerem uma lista de reprodução de Spotify — foi uma habilidade conhecida por alguns poucos. Os programadores nesses papéis, hoje, ainda são alguns dos profissionais mais procurados lá fora, mas essa nova tecnologia tem se tornado cada vez mais acessível.

Eventualmente, os algoritmos que controlam essas funções vão se tornar padronizados, e os trabalhos encarregados de interagir com eles poderiam ser viabilizados para trabalhadores menos especializados.

Você não precisa entender um robô para programar rotinas nele. À medida que o software se torna imprescindível, é possível vislumbrar profissionais responsáveis por treinar e programar, em um nível mais baixo, as funções de um robô.

Controladores de tráfego de drones

Com o Amazon e o Google testando formas de entregar pacotes por drone, as ofertas de trabalho corporativas nesse campo são inevitáveis. Inclusive, os futuros pilotos de drones já estão se matriculando em escolas especializadas em “veículos não tripulados”.

Até 2040, eles precisarão ser regulados por um sistema de tráfego aéreo semelhante ao que os pilotos de avião usam. Da mesma forma que os controladores de tráfego aéreo monitoram os aviões, vamos querer alguém coordenando, monitorando e instruindo drones.

Designer de Realidade Aumentada

Algumas indústrias — como o marketing e o varejo — já estão contratando designers de RA para criarem experiências interativas para os consumidores. Mas, em breve, a realidade aumentada — que combina imagens geradas por computador com objetos físicos — atingirá o público mainstream.

Até 2040, os engenheiros, arquitetos e designers UX que trabalham com essa tecnologia serão uma mercadoria quente no mercado de trabalho, e eles vão dirigir tudo: desde treinamento de trabalho até outdoors de marketing.

A realidade virtual e a realidade aumentada ainda são muito incipientes, mas o crescimento das oportunidades de emprego para os designers e programadores que criam essas experiências para o consumidor será enorme.

Como atrair Millennials?

Na próxima década, a força de trabalho passará por grandes mudanças, uma vez que precisará cada vez mais dos Millennials como força produtiva. Essa geração não responde aos mesmos estímulos aos quais as empresas estão acostumadas. Então, para atraí-los, você precisará de estratégias diferenciadas. Conheça agora o perfil dessa geração:

A compensação salarial ainda é o principal fator de atração

Enquanto as oportunidades de evolução e uma orientação segura são importantes para Millennials, a compensação salarial foi classificada como a principal prioridade quando eles consideram um novo emprego.

Isso é provável porque uma grande parte dessa geração ainda está nos estágios iniciais de sua carreira e está focada em acelerar sua experiência profissional e capacidade de liderança o mais rápido possível. À medida que seus conhecimentos e responsabilidades se aprofundam, eles estarão procurando aumentos de salários que reflitam essa experiência acumulada.

Porém, essa realidade contrasta com o imaginário de muitos empregadores. De acordo com pesquisa da MRINetwork Millennial Hiring Trends Study de 2017, 29% dos recrutadores disseram que seus clientes pensam que o equilíbrio entre trabalho e vida é o fator mais importante para Millennials.

À medida que os empregadores procuram melhores abordagens para atrair os talentos dessa geração, haverá uma mudança quanto ao atraso das discussões sobre o salário até a fase da oferta da colocação. Ou seja, busca-se discutir o salário somente nas fases finais, quando já é certo quem será contratado.

Essas discussões agora precisarão acontecer muito mais cedo no processo de recrutamento e a proposta de valor para cada função precisará se concentrar em um salário altamente competitivo.

Isso ocorrerá especialmente em setores de alto crescimento nos quais o talento especializado é muito demandado, mas a oferta de candidatos é muito pequena. A compensação salarial é muitas vezes o fator principal para os principais candidatos Millennials nesses ambientes.

A reputação da empresa no mercado tem a maior influência nas impressões dos Millennials sobre potenciais empregadores

Ainda de acordo com a pesquisa da MRINetwork, a presença online foi listada por 54% dos recrutadores como o principal canal utilizado pelos clientes para atrair Millennials. No entanto, 40% dos Millennials disseram que a reputação da empresa no mercado tem a maior influência na sua escolha.

Esses achados demonstram que os empregadores ainda têm maneiras de entender como apelar para Millennials e, uma vez que eles estejam a bordo, criar estratégias de retenção que os manterão envolvidos e mais propensos a ficar.

Embora uma maneira fundamental de estabelecer a reputação do mercado e o reconhecimento da marca seja por meio do sucesso da estratégia virtual da empresa, os Millennials experientes estão buscando principalmente o posicionamento geral de uma organização em potencial, em termos de quão bem a marca é conhecida e respeitada, como ela se encaixa em seus concorrentes e sua trajetória de crescimento futuro.

Assim, não é necessário que sua empresa seja a líder de mercado para atrair os Millennials. Basta que ela demonstre a capacidade de se tornar uma referência no futuro. Tendo isso em vista, as empresas terão que distribuir mensagens positivas sobre a sua marca tanto interna como externamente, para se tornarem mais atraentes como empregadoras.

A mensagem precisará se concentrar em remuneração competitiva, base no mercado e reputação, além de um plano de carreira claro e ambicioso. Embora toda a estratégia não se baseie na presença online da organização, ela precisará ser uma parte fundamental da marca, uma vez que os Millennials são mais propensos a aproveitarem as redes sociais na busca por uma colocação no mercado de trabalho

O desenvolvimento da carreira é o que torna os Millennials mais propensos a permanecerem em sua empresa

Quando perguntados sobre as metodologias que as empresas estão usando para engajar e reter os Millennials, a mais citada foi a oferta de cargas horárias de trabalho flexíveis ou a possibilidade de trabalhar remotamente — por 38% dos recrutadores.  Já o desenvolvimento da carreira não fica muito atrás, com 32%.

Da parte dos Millennials, 53% deles dizem que o investimento da empresa em sua carreira — progressão incremental para novos papéis na organização — tem maior impacto em sua decisão de permanecer com seu empregador. Todos esses dados constam no Millennial Hiring Trends Study.

Esse processo não começa com o gerente, mas com o funcionário se encarregando da revisão de desempenho e definindo a carreira desejada. Uma vez que os objetivos são definidos, a conclusão bem-sucedida agora está nas mãos do empregado. O caminho agora está claro para o que eles precisam fazer, para serem promovidos ou receberem um aumento salarial.

Uma vez que os Millennials estão particularmente focados na escalada da escada corporativa, uma carreira apresenta não só um plano de ascensão, mas também permite que os melhores desempenhos maximizem a sua capacidade de avançarem dentro da empresa. Por essa razão, um plano de carreira pode ser uma grande tática de retenção, especialmente para os Millennials.

Muita coisa vai acontecer nos próximos anos, não é mesmo? Pensar no futuro do mercado de trabalho é fascinante, pois abre a nossa mente para onde o desenvolvimento tecnológico vai nos levar. Com isso, vamos percebendo a mudança no estilo de vida das pessoas — o que reflete em motivações diferentes para trabalhar — e imaginando as novas profissões que vão surgir e quais vão desaparecer.

O desafio para você e sua empresa será aproveitar todas essas mudanças e torná-las oportunidades de negócios para assumir a liderança no mercado.

Quer se aprofundar no assunto e descobrir como os profissionais de RH das empresas brasileiras têm visto o futuro do mercado de trabalho? Não deixe de conferir a nossa pesquisa: entrevistamos 740 profissionais para dar a melhor resposta para você!

Head of Content no Portal Transformação Digital
-
Equipe TD