Os principais erros da liderança na Transformação Digital

Os principais erros da liderança na Transformação Digital

Um dos maiores erros da liderança é acreditar que a mudança precisa ocorrer pela Transformação Digital, quando ela é um processo e não um objetivo. A inovação só vai acontecer se for impulsionada pelo desafio de aproveitar oportunidades concretas para resolver problemas específicos.

Por isso, relacionamos os erros que você precisa evitar para poder construir uma visão estimulante e que possa direcionar a equipe no caminho certo. Vamos lá?

01. Acreditar na autossuficiência

Houve uma época em que as empresas se esforçavam ao máximo para guardar segredos, estratégias e fórmulas como forma de se proteger da concorrência. As decisões eram centralizadas e os colaboradores treinados e formados para cumprir normas e procedimentos.

Esse tipo de execução mecanizada é uma tarefa perfeitamente realizável pela Inteligência Artificial, por algoritmos e, em alguns casos, por softwares de automação relativamente simples. Na atualidade, e conforme a Transformação Digital avança, a cooperação assume um papel cada vez mais importante.

A atitude participativa e a capacidade de se reinventar profissionalmente são competências que serão cada vez mais exigidas, e elas dependem das lideranças para se manifestarem livremente.

Mais do que permitir e estimular o envolvimento dos colaboradores, os líderes da transformação precisam desenvolver a capacidade de engajar uma rede de parceiros e fornecedores. Esse ecossistema permite que a empresa acesse novos recursos, troque experiências e entenda o novo mercado. Assim, as organizações ficam mais inteligentes sobre como operar no ambiente digital.

Atuar na nova realidade empreendedora depende de compreender detalhadamente sobre as capacidades, vantagens e recursos que a empresa tem e das que precisa obter. Além disso, é preciso solucionar as carências do negócio da forma mais otimizada possível. Muitas vezes, isso significa desenvolver soluções em parceria.

02. Não trabalhar com dados concretos

A mudança causa um receio natural. Não se trata apenas de resistência ao novo, mas da necessidade de buscar segurança no que é conhecido, experimentado e, ao menos em alguma medida, determinado.

Por isso, é papel de um líder que deseja favorecer a inovação evitar que as pessoas precisem recorrer à experiência e à intuição por falta de informação concreta e previsões estratégicas. Embora não seja possível trabalhar com certeza e eliminar o risco que envolve as mudanças, a disponibilização de uma ampla base de fatos pode contribuir muito para dissipar os medos que atingem os colaboradores.

As melhores empresas desenvolvem uma imagem objetiva dos elementos de seus negócios que agregam mais valor e das desvantagens que enfrentam. Trata-se de disseminar uma imagem sobre como a organização pode ser no futuro e das vantagens dessa transformação. Porém, de forma concreta e objetiva.

Um bom exercício para construir essa visão é buscar definir o que o termo Transformação Digital significa para o empreendimento. Antes dessa definição, a mudança pode representar qualquer coisa e, normalmente, significa algo diferente para cada participante do processo.

Outro aspecto que precisa ser considerado é que a urgência não pode ser fabricada. A sua equipe só vai se motivar em realizar a transformação imediatamente se for estimulada pelos motivos certos. Enquadre a mudança em termos de oportunidade. Incentive as pessoas a procurar maneiras de escapar de problemas antigos e melhorar a experiência do cliente.

03. Demonizar o erro

A gestão tradicional trabalha com rigidez nos processos e intolerância ao erro. Essa é uma boa prática quando se tem certeza absoluta em relação às melhores políticas a serem adotadas e, no caso de atividades mecânicas, ajuda a melhorar a produtividade e a qualidade.

No entanto, não funciona nada bem no que se refere à gestão da inovação e para a Transformação Digital. Invariavelmente, mudar implica em cometer erros e aprender com eles. A aceitação dessa realidade é importante para que o time não se retraia e evite a inovação com receio de represálias.

Os colaboradores precisam confiar que podem assumir riscos sem serem envergonhados ou criticados por falhas. Ao mesmo tempo, as empresas precisam investir em sistemas para capturar lições e aprender com elas. Desse modo, é possível identificar as ações que entregam resultados efetivos e valorizar os envolvidos.

Em outras palavras, os líderes precisam assumir a postura de estimular os acertos, no lugar de condenar os erros. Ao mesmo tempo, é fundamental engajar a equipe em atividades colaborativas para que o conhecimento seja compartilhado. Isso evita que várias pessoas cometam o mesmo erro e a repetição de testes e experiências.

Além disso, o processo de aprendizado precisa envolver os clientes. São eles que têm as melhores respostas sobre as iniciativas que entregam valor, pois ele só existe na percepção do consumidor. Ações de cocriação e desenvolvimento de protótipos baratos, testados com o método do produto mínimo viável (MVP) com estratégia para a Transformação Digital, são fundamentais.

Essas iniciativas ajudam com que os colaboradores e líderes observem a transformação aplicada sob uma nova lente. As mesmas pessoas, nas mesmas condições, nos mesmos lugares e a partir de um mesmo ângulo, dificilmente serão capazes de encontrar novas soluções.

04. Não ousar

Inovações incrementais são como fazer a mesma coisa de um modo diferente. Por analogia, é como reformar um prédio com uma falha estrutural, que implique em um desmoronamento eminente, alterando detalhes de decoração. Muitos executivos fazem uma retrospectiva de seus programas de transformação e concluem que poderiam ter sido mais ousados.

Isso não significa que, necessariamente, a empresa precise aplicar uma revolução. O ponto central da Transformação Digital é a capacidade da empresa de, no processo, ser capaz de aplicar mudanças que sejam significativas na entrega de valor para o consumidor e para a empresa em si.

Os casos de maior sucesso implicam em grandes apostas em novas tecnologias e modelos de negócio que entregam valor superior. Além disso, baseiam-se em uma cultura de teste e aprendizado em que cada falha é uma oportunidade de melhorar e lançar programas de mudança que transformam todo o negócio.

05. Limitar o investimento em talentos

A maioria das empresas subestima o tempo necessário para construir as capacidades para aplicar a Transformação Digital. Normalmente, os executivos até sabem que precisam de talentos adaptados à realidade digital, mas não exatamente de que tipo ou quanto.

A Transformação Digital em uma grande empresa pode exigir até 150 funcionários em tempo integral no primeiro ano. Contratar um diretor digital é um bom começo, mas não é suficiente.

Qualquer busca eficaz de talentos deve começar com a identificação dos problemas que precisam ser resolvidos. Isso ajuda a esclarecer os conjuntos de habilidades que você precisa. Porém, elas vão precisar de uma estrutura adequada para desenvolver um bom trabalho, começando por um bom ambiente organizacional e suporte das lideranças.

06. Superdimensionar a percepção de esforço

Não existe mudança possível sem que os envolvidos precisem aumentar a carga de esforço que empregam no trabalho. O dia a dia em uma organização em processo de transformação é comparável a uma empresa em obras de reforma no prédio. Contudo, mesmo que nenhuma mudança esteja imune a isso, algumas medidas podem ajudar a minimizar o problema e, principalmente, um nível de fadiga que prejudique a produtividade e a criatividade.

As equipes podem ficar sobrecarregadas pela simples escala e complexidade da mudança. Líderes eficazes lançam pequenos projetos que se complementam para que as equipes sintam um sentimento de realização. Eles também se concentram em manter as coisas simples — burocracia não combina com mudança.

Para concluir, tenha em mente que, para evitar erros da liderança, é fundamental colocar as pessoas no centro do processo de transformação. São elas que poderão observar o contexto do negócio e identificar pontos-chave que precisam mudar para tornar a experiência do cliente mais simples e encantadora.

Agora que identificamos os erros a evitar, é hora de relacionar as atribuições que precisam ser assumidas. Entenda o  papel do CEO na Transformação Digital!

Cofundador do TransformaçãoDigital.com.

Eduardo Wolkan é bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com ênfase em marketing e comportamento do consumidor. Entusiasta do meio digital e fascinado pela internet, fez do hobby sua profissão e hoje atua com projetos de transformação digital para empresas tradicionais.