O mundo está mudando e aqueles que não se adaptarem vão acabar ficando para trás. Lembra-se quando a Samsung adquiriu a Viv, aquela assistente virtual dos criadores da Siri? Apesar de não ter gerado tanto alvoroço em meio ao público geral — que estava mais preocupado com avanços na linha dos smartphones — isso não tornou a jogada da Samsung menos impactante, pois foi uma ação que projetou a empresa rumo ao que chamamos de “economia inteligente”.

O que acontece é que cada vez mais empresas — e não apenas os grandes nomes, como a Google, Microsoft, entre outras — estão aderindo aos caminhos das novas tecnologias. Estudiosos já especulam que estamos experienciando um novo paradigma da internet, que será definido pelo uso da Inteligência Artificial conectada e pelo surgimento de uma economia mais inteligente.

Muitos apontam que a nova economia surgirá dos grandes avanços que estamos tendo em Machine Learning (aprendizado da máquina). Um estudo recente americano conduzido pela Merril Lynch projeta um crescimento assustador para o mercado de Inteligência Artificial.

Pensando nisso, resolvemos elaborar um artigo para falar um pouco a respeito da chamada economia inteligente e seus significados. Vamos lá?

O que é economia inteligente e como compreender melhor o seu papel?

De modo simples, economia inteligente é o nome dado ao próximo estágio da economia como conhecemos hoje. Tal “sistema” será guiado primariamente pelas inteligências dos computadores nas tomadas de decisão, nos seus bancos de dados e nas suas análises preditivas. Já estamos vivenciando tal mudança hoje, no entanto, ela tende a ficar muito mais agressiva nesses próximos anos e causar uma grande revolução.

Sistema econômico

O jeito mais simples de se definir “economia” é como sendo um conjunto de indivíduos realizando ações em busca de maior satisfação. Desse modo, podemos afirmar que todos nós fazemos parte de uma economia global, que não só está interconectada, como também vem em se tornando cada vez mais “inteligente”.

Comércio, logística e finanças são exemplos de processos que, hoje em dia, são guiados por redes digitais de computadores. Graças a isso, provocou-se uma convergência nos processos, o que resulta em uma economia inteligente, onde tecnologias cognitivas baseadas na nuvem lançam oportunidades para se gerar novos valores, coisa que não era possível até pouco tempo atrás.

Lançado há mais de uma década, o livro intitulado “O mundo é plano”, de autoria de Thomas Friedman, nos ofereceu uma visão bastante precisa de como a tecnologia e os negócios comerciais evoluiriam no futuro. Os pensamentos de Friedman a respeito de como plataformas de informações digitais surgiriam para simplificar a comunicação e o comércio serviram como um prefácio para o que podemos chamar, hoje, de “empresa inteligente”.

Sistemas guiados por computador

Nessa linha de raciocínio, podemos observar diversos efeitos dessa “inteligência” presentes no nosso cotidiano, de modo que isso nos possibilita levantar alguns exemplos que ilustram bem o cenário. Pense em como os navegadores praticamente adivinham nossos interesses e necessidades, ou como os sistemas das lojas virtuais sofreram tantas mudanças de alguns anos pra cá, tornando-se tão mais úteis para o consumidor.

Quando uma plataforma de streaming de música ou vídeo recomenda algo a você, isso não acontece por acaso, na verdade ela vem lapidando a própria capacidade de ser inteligente, dia após dia, a fim de conseguir antecipar melhor os seus interesses. Em resposta a isso, ao nos depararmos com antecipações corretas, ficamos satisfeitos e adquirimos o serviço.

Material complementar: 4 aplicações da Inteligência Artificial em nosso dia a dia

Como a Transformação Digital e as novas tecnologias criaram este novo cenário?

De comerciantes a estudiosos, todos estão submetidos aos avanços tecnológicos e é natural que as pessoas abracem as análises preditivas, a fim de ampliar suas capacidades pessoais e oferecer resultados mais assertivos. Acontece que isso também se aplica à indústria como um todo, que também precisa revolucionar métodos e estratégias para ser mais eficiente.

Entenda: sistemas livres precisam inovar para que possam continuar de pé, caso contrário, eles nem precisariam existir. Métodos de trabalho estão sendo revolucionados pelo uso da Inteligência Artificial e outras tecnologias baseadas na nuvem. Isso acontece porque tais práticas são mais eficazes e condizentes com os avanços tecnológicos.

Conforme a economia inteligente vai se moldando nos nossos meios profissionais e sociais, a empresa inteligente emerge como o mecanismo que permite que isso aconteça — possibilitando o crescimento, solucionando problemas, instigando colaboração e acelerando a inovação.

Quais são os desafios desses avanços?

A fim de percorrer a nova economia, grandes empresas do mercado estão começando a oferecer algumas de suas ferramentas de Inteligência Artificial em código aberto, de modo a beneficiar o desenvolvimento do ecossistema. Tais medidas estão ajudando a acelerar o processo de estudo da Inteligência Artificial a uma velocidade nunca antes vista, sendo um progresso importante para ajudar a suprir as expectativas das pessoas sobre essas tecnologias.

Acessibilidade

Abrir plataformas e ferramentas não é o suficiente, porém. Só porque uma ferramenta é open source, não significa que ela é acessível. Algumas das fontes e ferramentas disponibilizadas pela Google e outras empresas (Torch, TensorFlow, entre outras) são sensacionais para usuários bem experientes, no entanto, elas não trazem novos desenvolvedores para dentro do jogo. Então, apesar do crescimento e investimento na área, acessibilidade ainda é um problema recorrente na Inteligência Artificial.

Os estudiosos estão finalmente reconhecendo que a abordagem estatística na IA é, simplesmente, muito difícil de calcular. Logo, estamos entrando em uma nova fase, que pretende focar os esforços em tornar a tecnologia mais acessível aos desenvolvedores, ao mesmo tempo que distribuindo ela em uma maior quantidade de dispositivos.

Profissionais qualificados

Dado a nova fase da tecnologia, acabamos nos deparando com um novo problema: a lacuna de habilidade entre profissionais qualificados de Inteligência Artificial e dados se revelou muito grande e longe de suprir a demanda da economia inteligente.

Grandes empresas já começaram a incentivar o estudo e aperfeiçoamento de tais habilidades por meio do financiamento de programas em universidades, a fim de encontrar e produzir novos talentos. No entanto, apesar de que toda iniciativa é bem-vinda, ainda se trata de um método restrito a organizações muito grandes e não a solução sistemática que precisamos.

Atualmente, os investimentos e pesquisas globais estão todos focados em responder a seguinte dúvida: como entregar Inteligência Artificial para os desenvolvedores de maneira viável?

Nós precisamos de desenvolvedores e cientistas da informação, mas um desenvolvedor não precisa ser, necessariamente, um cientista da informação para ser um desenvolvedor, compreende? Em vez de esperar que as universidades desenvolvam novos talentos do zero, precisamos encontrar uma maneira de entregar a IA para o time de desenvolvedores já existente.

Surgirão novas oportunidades nesse processo?

É impossível calcular quais oportunidades surgirão na economia inteligente, uma vez que o futuro da tecnologia é imprevisível. Se as próprias empresas já acham desafiador acompanhar as inovações que surgem no mercado, quem dirá prever resultados futuros. Mas é claro que oportunidades surgirão em massa e, a fim de se preparar melhor, recomendamos que organizações e seus líderes foquem em algumas áreas ao considerar a transformação digital como uma prioridade:

Unidade de liderança

O primeiro passo é focar todas as iniciativas na transformação digital, ou seja, será necessário que os CEOs se afastem de aspectos operacionais e foquem suas energias nos desafios de importância estratégica.

Abordagem empresarial estratégica

É importante que tais iniciativas sejam encaradas como uma nova visão para a empresa, de modo que a abrace como um todo. Para que isso aconteça, uma mudança cultural será necessária.

Encorajamento da inovação

A inovação é um dos aspectos mais importantes a serem trabalhados por empresas de sucesso. Mais importante do que focar na superação de problemas ou na melhora dos processos, recomenda-se pensar em soluções que visam superar a indústria como um todo.

Desenvolvimento de competências digitais

Como sendo um dos maiores desafios das empresas, é prioridade manter e renovar equipes de profissionais bem preparados para lidar com todas as novas tecnologias e soluções que forem surgindo.

Agilidade com estabilidade

Por fim, uma estratégia está incompleta sem ter um bom modelo operacional para suportá-la. É necessário que sistemas estejam preparados para suportar novas tecnologias digitais, no entanto, isso precisa acontecer de maneira confiável.

Apesar de parecer complexo de acompanhar, aos poucos é possível conhecer melhor o assunto e amenizar quaisquer efeitos negativos que a economia inteligente possa ter sobre você ou seu negócio. Procure manter-se bem atualizado sobre as mudanças no meio tecnológico (conhecendo nossos artigos, por exemplo) e vá traçando as suas próprias estratégias para o futuro!

Para continuar aprendendo, descubra aqui os reais impactos da Inteligência Artificial em nossas vidas e empregos!

Igor Lopes

Diretor de Conteúdo no TD Igor Lopes, jornalista, é hoje o Diretor de Conteúdo do TD. É também colunista de tecnologia no BandNews TV. Já passou pelos principais veículos especializados em tecnologia do Brasil. Na NZN, foi diretor de conteúdo das sete propriedades do grupo (Tecmundo, The BRIEF entre outros); no Canaltech foi editor-chefe e cofundador do site. Cobre o mercado de negócios em tecnologia há mais de 12 anos.

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