Se prestarmos atenção, muitas das principais inovações tecnológicas que apareceram nos últimos anos são evoluções de meios que já existiam e que foram substituídos por interfaces inteligentes.

Um exemplo é o telefone. O princípio da comunicação — poder conversar com pessoas que estão em diferentes localidades — é o mesmo, mas a interface é completamente distinta: de aparelhos gigantes operados por manivelas ou botões giratórios para smartphones que permitem enviar áudio, fotos, textos e muito mais em tempo real.

A Inteligência Artificial propicia o processamento de dados e referências de um usuário — por meio de linguagem, voz, hábitos, visão etc — de forma mais rápida e lógica, de modo que cada pessoa tenha experiências e interações únicas e em diferentes formatos com meios de tecnologia diversos.

Quanto mais essa disrupção avança, mais as máquinas aprendem a como imitar as várias facetas e habilidades humanas e modificar suas interfaces para responder às demandas e preferências dos usuários. Mas como essas interfaces inteligentes e adaptáveis funcionam e qual é seu impacto na sociedade e na vida das pessoas?

O que são interfaces inteligentes (ou adaptáveis)?

Como o nome indica, interfaces inteligentes, também referidas como adaptáveis, são aquelas que conseguem se ajustar a diferentes indivíduos, permitindo que cada usuário faça modificações e reorganize sua configuração de modo que o uso da tecnologia em questão seja mais agradável e conveniente.

A adaptação de interfaces está intimamente ligada à aplicação da Inteligência Artificial, que, conforme o uso e interação com a pessoa, começa a reconhecer objetivos, gostos, necessidades e se molda para que a relação entre homem e máquina seja mais espontânea, simples e prazerosa.

Assim como as pessoas passaram a modificar suas rotinas e comportamentos diante do avanço da tecnologia e do surgimento de diversos aparelhos, os dispositivos também passaram a se adaptar à vida humana. Com o crescimento de máquinas que compreendem mais e mais os interesses e desejos dos seus usuários, elas são capazes de, por exemplo:

  • estabelecer um diálogo natural e mais conveniente para a pessoa;
  • tirar dúvidas — como os Chatbots;
  • integrar informações relevantes e compreensíveis;
  • facilitar o uso de certos aparelhos e melhorar a interação, assumindo uma interface mais agradável que ameniza a complexidade de certos sistemas.

Como elas funcionam?

Tecnologias não adaptáveis são aquelas que exigem que um usuário aprenda como usar um sistema fixo por meio de tutoriais e treinamentos. Em geral, isso demanda dedicação e tempo da pessoa para estudar e essa interação tende a não ser muito produtiva ou aprazível.

A tendência atual é que, com a Inteligência Artificial e o machine learning, sistemas analisem constantemente as ações, reações, perfil e hábitos de cada usuário e vá, aos poucos, se moldando automaticamente a ele e ao seu modo.

Nesse sentido, a constante avaliação e cruzamento dos dados fornecidos pelo indivíduo na medida em que interage com a máquina permite que ele ajuste e personalize o ambiente, telas e dispositivos de acordo com suas preferências e seu estilo. O resultado é uma experiência mais positiva, dinâmica e significativa com a tecnologia, fortalecendo o engajamento.

Encontramos exemplos comuns de interfaces inteligentes e adaptativas em redes sociais como YouTube e Pinterest. Neles, conforme a frequência de vídeos e imagens que um usuário favorita, o sistema aprimora seu conhecimento sobre o que é mais relevante para a pessoa e passa a fazer recomendações alinhadas aos seus interesses com maiores chances de aceitação.

O site de música Spotify funciona na mesma lógica: o usuário é encorajado a criar playlists com suas canções favoritas. Com esses dados, o sistema gera outras playlists baseadas no seu gosto, fazendo com que o indivíduo amplie seu repertório musical dentro do seu estilo e preferências. Esse é um dos principais motivos pelos quais o aplicativo é um sucesso, utilizado por milhares de pessoas e tem alto índice de fidelização.

A ideia é que, no futuro, interfaces inteligentes ultrapassem os limites das telas e dos aparelhos e sejam aplicadas em diferentes espaços, nas casas e nas cidades, automatizando tarefas rotineiras graças ao conceito de adaptabilidade.

Quais são seus impactos e como respondem às novas demandas dos usuários?

Sistemas e estruturas tecnológicas com interfaces inteligentes estão expandindo, migrando do mundo pessoal dos computadores e smartphones para contemplar também objetos e infraestrutura. Assim, a tendência é que a Inteligência Artificial seja usada em outras modalidades, propondo novas formas de interação.

Num mundo em plena transformação, as barreiras entre as esferas físicas e virtuais estão cada vez mais dissolvidas. Por exemplo, o uso da autenticação por biometria — facial, visual (pela íris ou retina), pela impressão digital ou outra parte do corpo — já é amplamente usada em diversas instituições ao redor do mundo para verificação de senhas e para validar acessos.

Bancos, universidades e, no Brasil, até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aderiram à autenticação via impressão digital para liberar a entrada e o acesso a dados. A popularização da biometria se confirma também no fato de que grande parte dos celulares, softwares e aplicativos hoje em dia funcionam com bloqueio e desbloqueio de tela e senhas por impressão digital ou reconhecimento facial.

O uso dessa tecnologia atende a demanda por mais segurança e controle de fraudes e vulnerabilidades, visto que as particularidades anatômicas de cada pessoa são dificilmente replicadas.

O impacto da biometria é tremendo e já revolucionou muitas experiências do mundo real como realização de pagamentos, acesso a bens e informações pessoais — como dados financeiros e de registros de saúde —, procedimentos de segurança e validação de passaportes no aeroporto, entre outras.

O reconhecimento por voz, realidade aumentada, assistentes virtuais, veículos autônomos, robótica, entre outros inúmeros recursos também ilustram como a Inteligência Artificial e interfaces inteligentes propõem um oceano de novidades em termos de experiência do usuário. Progressivamente, as interações entre máquina e ser humano se tornam mais claras, customizadas e sem fricção, afetando e transformando:

  • as interações sociais;
  • os processos de tomada de decisão na vida e nos negócios;
  • os ambientes e formas de trabalho;
  • a prestação de serviços, atendimento ao cliente, divulgação e oferta de bens de consumo;
  • entre outros tantos processos.

As interfaces inteligentes estão cada vez mais presentes em nossas vidas, causando impactos irreversíveis na sociedade. Estima-se que, com ela, conseguiremos potencializar nossos conhecimentos e, com isso, alterar e controlar ambientes com mais efetividade e significado. Interagir com uma máquina será tão ou mais fácil do que falar com uma pessoa.

Assim, a Inteligência Artificial representa o futuro de como serão as relações entre indivíduos, pessoas e o mundo a nossa volta. Ou seja, estamos vivendo apenas o começo de uma nova era. Preparado para o que está por vir?

Esdras Moreira

CEO na Introduce Formado em Redes de Computadores, com especializações em Gestão de Pessoas, Coaching e MBA em Marketing. É co-founder da introduceti.com.br, que conduz o crescimento dos negócios através de estratégias e tecnologias. Além disso é investidor no projeto Globin.it, Middas e Grupo 3Minds.

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