O futuro da realidade virtual nos negócios

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A RV ainda é uma tecnologia bastante utilizada para o entretenimento das pessoas, mas você já parou para pensar no futuro da realidade virtual e nas possibilidades existentes com o uso desse conhecimento em outras áreas?

O aproveitamento da RV por outros setores — que não o entretenimento — ainda é bem baixo e você pode nem ter um exemplo em mente agora; contudo, essa tecnologia tem um grande potencial.

Neste artigo, vamos falar um pouco mais sobre o futuro da realidade virtual nos negócios, alguns exemplos do que esperar e os principais desafios que ainda não tornaram essa utilização possível. Vamos lá?

A jornada da realidade virtual até aqui

Você já deve ter ouvido falar muito no termo realidade virtual, afinal, não é de hoje que esse conceito é utilizado pelas pessoas, sendo tema de muitos filmes de Hollywood.

Recentemente o blockbuster “Jogador nº 1” tratou muito bem do uso da realidade virtual. Nele, um garoto pobre em um futuro distópico utiliza a tecnologia para entrar em um mundo onde tudo é possível.

Mesmo que as questões tratadas no filme ainda estejam bem distantes da realidade atual e considerando o fato de que ainda temos poucos recursos em aplicativos de RV, podemos esperar uma revolução nos próximo anos.

É possível conceituar a realidade virtual como um ambiente artificial em 3D, criado e renderizado por meio de um software e apresentado ao usuário por meio de um gadget, que faz com que ele aceite aquele ambiente como real por meio de seus sentidos de visão e audição.

História

Mesmo que a tecnologia de RV pareça algo novo, o seu conceito já existe há muito tempo — o tema é bastante explorado nos filmes de Hollywood — e foi pensado por Morton Heilig em 1950!

O diretor de fotografia estava pensando em algum tipo de experiência teatral que pudesse estimular todos os sentidos dos expectadores, fazendo com que eles imergissem na realidade apresentada.

Em 1960 Morton construiu um protótipo ao qual deu o nome de Sensorama. Esse primeiro modelo tinha ventiladores, visor estereoscópico, emissores de odor, alto-falantes estéreos e uma cadeira que poderia se mover.

Com o conceito desenvolvido por Morton, Ivan Sutherland acabou criando, em 1968, o primeiro monitor de realidade virtual. A partir daí o termo acabou se popularizando.

Contudo, na época ainda não existia tecnologia suficiente para criar uma realidade simulada que realmente envolvesse o usuário. A partir da década de 90, Hollywood começou a explorar o tema mais a fundo com a incrível trilogia The Matrix. A Sega chegou a desenvolver um hardware de RV, o Sega VR, mas o gadget não chegou aos consoles devido a valores de produto final.

No ano 2007 o Google Street View foi lançado. A aplicação permite navegar pelas ruas da cidade de modo virtual, observando tudo em 360º. Em 2014 o Facebook comprou a Oculus, fabricante do Oculus Rift.

Já em 2016 o Google investiu cerca de U$ 500 milhões de dólares no Magic Leap, outra empresa desenvolvedora de hardware para realidade virtual do mercado. A busca das gigantes de tecnologia em garantir um lugar nesse mercado só nos mostra o quanto a realidade virtual ainda pode crescer nos próximos anos.

Tecnologias envolvidas na RV

A realidade virtual é composta pela integração de, basicamente, 3 tecnologias: um software especial, o ambiente e o hardware de imersão. É preciso a combinação desses três elementos para uma experiência completa.

Por mais que estejamos acostumados a imaginar alguém utilizando um óculos especial quando falamos em realidade virtual, isso nem sempre é preciso. Como dito no tópico acima, um exemplo de aplicação de RV é o Google Street View.

Ele permite navegar por ruas e olhar em 360º ao redor sem a necessidade do uso de um hardware específico, permitindo ao usuário utilizar seu próprio computador ou até mesmo um dispositivo móvel.

Contudo, uma experiência completa de imersão depende do uso das três tecnologias específicas e é capaz de enganar os sentidos, fazendo com que o ambiente virtual pareça bem real.

O futuro da realidade virtual

Conforme o custo de produção cai, mais dinheiro é investido em uma tecnologia e mais podemos esperar do futuro dela. Quando imaginou a imersão em novos ambientes na década de 50, Morton Heilig não poderia nem pensar que chegaríamos aonde estamos agora.

Cada vez mais empresas estão buscando inserção no mercado de realidade virtual, seja com a construção de protótipos de hardware ou aplicações, seja pela incorporação de Startups da área.

Contudo, mesmo com essa corrida entre as gigantes na busca por espaço, ainda não estamos nem perto do que a tecnologia de realidade virtual pode nos proporcionar.

Em um futuro próximo, a RV será parte inseparável de nossas vidas. Será comum termos um gadget de realidade virtual para realizar diversas atividades, como trabalhar, socializar e, claro, nos entreter. Entre os processos que podemos esperar para o futuro, estão:

Conexão com outras tecnologias

A realidade virtual tem potencial muito grande. Aliada a outras tecnologias, pode gerar uma gama de soluções incríveis para o nosso cotidiano, criando ferramentas com um papel muito interessante no mundo dos negócios.

Imagine a utilização de realidade virtual com Big Data, permitindo ao usuário manipular dados e estatísticas com as mãos para criar gráficos simples e intuitivos?

Ainda é possível esperar a integração com mapas e realizar a imersão em locais para visitação ou exploração. A conexão com outros dispositivos wearables também é esperada, o que permitirá uma ampliação nas sensações durante a experiência.

Criação de empregos

A expansão do mercado de RV está se limitando à criação e evolução do hardware e software, sendo que os aplicativos de realidade virtual ainda são limitados.

Isso acontece por conta das mudanças que ocorrem no hardware, que, com o surgimento de novas tecnologias, acabam impactando no desenvolvimento de aplicações.

No entanto, esse movimento tende a se estabilizar em breve, criando uma demanda por profissionais especializados em várias áreas para o desenvolvimento de aplicações de realidade virtual.

Nessa onda de criação de novas oportunidades e posições no mercado de trabalho, a busca principal será por desenvolvedores de software, arquitetos de sistemas e modeladores 3D.

No entanto, com o surgimento de novas empresas para explorar os conceitos de realidade virtual, toda uma infraestrutura comum para o funcionamento do negócio será necessária.

Evolução de conceitos e tecnologia

realidade aumentada (RA) é outra tecnologia muito falada nos últimos anos. O conceito é similar e muitas vezes confundido com a RV, porém, tratam-se de termos distintos.

Na realidade aumentada também é necessário um software e um hardware, no entanto, o ambiente é real. Nela os objetos 3D são inseridos no mundo real, como no famoso jogo Pokémon Go.

O que se espera para daqui alguns anos é a criação da chamada realidade mista, uma mistura entre os conceitos de RV e RA. A Magic Leap, já apresentada, é uma das pioneiras no desenvolvimento dessa tecnologia.

Contudo, ainda não foi lançado nenhum produto ou protótipo. Por conta disso, não sabemos o que a empresa está reservando para o futuro, mas podemos aguardar novidades em breve.

A realidade virtual nos negócios

Podemos esperar bastante da realidade virtual, e ao contrário do que muitos pensam, essa tecnologia não tem lugar apenas na indústria do entretenimento. Mesmo que Morton tenha idealizado uma experiência teatral de imersão quando criou o primeiro protótipo do Sensorama, seu conceito ultrapassou essa única aplicação.

Hoje já vemos muitos empresas visualizando formas de utilizar a realidade virtual em seus negócios para melhorar a experiência de seus clientes, como forma de fidelização de consumidores e atração de público.

Além disso, também temos exemplos de uso em treinamentos, marketing, medicina, turismo e outras áreas que podem se beneficiar com a aplicação dessa tecnologia. Vamos listar algumas soluções interessantes:

Jogos

A indústria dos jogos é poderosa, e já faz um bom tempo que games deixaram de ser rotulados como algo infantil. É um setor que gera grande volume de negócios e também um dos primeiros a enxergar o valor da realidade virtual.

Os games têm muito a ganhar com o uso da RV, garantindo uma experiência de jogo imersiva e muito mais interessante. Ainda não existem jogos complexos com o uso da tecnologia devido à dificuldade de criação.

No entanto, os principais fornecedores de tecnologia para games já estão investindo na área. É o caso da Sony, que lançou o Playstation VR, uma plataforma de realidade virtual que pode ser acoplada em um console.

No futuro poderemos ver muito mais jogos sendo desenvolvidos, especialmente pensando em jogadores que buscam pela experiência imersiva da realidade virtual. Isso possibilitará muito mais diversão para quem gosta de um bom game.

Filmes

Hardcore Henry é um filme em primeira pessoa lançado em 2015 e que pode dar um vislumbre do que esperar da experiência de películas gravadas para visualização em hardwares de realidade virtual, colocando o espectador em uma visão de primeira pessoa.

Depois dele já tivemos algumas experiências de filmagem de outros títulos contando até com gravação em 360º, o que permite ao espectador observar todo o cenário.

Contudo, Hollywood ainda não lançou nenhum blockbuster com a tecnologia por conta das dificuldades de criar esse tipo de cena e os investimentos a serem feitos na tecnologia. Porém, podemos esperar que em um futuro próximo esse tipo de conceito seja amplamente utilizado em filmes.

Turismo

Que tal visitar a Muralha da China? Ou, quem sabe, você prefira ir até a Times Square, em Nova York. Com a realidade virtual, você poderá conhecer diversos lugares sem sair de sua casa e até mesmo de graça..

Agências de turismo podem criar ambientes de imersão com a captura de ambiente e vender pacotes digitais, permitindo que você visite os locais virtualmente e decida se vale a pena ou não realizar a viagem física.

Além disso, já existem passeios virtuais por bibliotecas, organizações e museus. A experiência existe até mesmo no Brasil: o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, conta com a possibilidade de visita totalmente virtual em um projeto desenvolvido com apoio do jornal O Globo.

Outra aplicação no ramo do turismo é o tour virtual por hotéis. As empresas de hotelaria podem realizar a captura de seus quartos, possibilitando aos hóspedes visualizar as acomodações antes mesmo de decidirem pelo aluguel de determinado recinto.

Medicina

O treinamento de cirurgiões é um desafio que pode ser superado com o uso de realidade virtual. Assim, os estudantes de medicina conseguem visualizar e interagir com modelos 3D, melhorando suas técnicas cirúrgicas.

Isso acabaria de vez com as dificuldades de treinar futuros médicos, sem contar que poderia auxiliar na criação de novas universidades em locais mais afastados e com menos infraestrutura para acolhimento de um curso como esse.

Também é possível a captura de imagens de órgãos de pacientes por meio de microcâmeras e posterior análise da situação em um ambiente de realidade virtual, permitindo visualizar imperfeições e problemas que não seriam identificados de outra forma.

O estudo de anatomia por parte de todos os estudantes envolvidos na área da saúde também poderá ser melhorado com a aplicação de ambientes de realidade virtual, que permitem a visualização e interação dos usuários.

Exploração espacial

A busca por novos mundos pode encontrar grande apoio nas aplicações de realidade virtual. Os equipamentos enviados a outros lugares do espaço conseguem capturar diferentes ambientes e recriá-los em RV.

Assim, será possível andar pela superfície de outros planetas e visualizar suas principais características em uma simulação que utilize todas as características do local, o que permitirá entender melhor como funcionam esses ambientes inóspitos.

O uso de RV na exploração espacial evita a necessidade de enviar missões tripuladas — algo fora da realidade hoje, em termos de tecnologia —, além de poupar milhões de dólares para os governos e empresas interessados em realizar pesquisas nessa área.

Simulação

Você sabe como agir em caso de incêndio ou qualquer outra catástrofe? O uso de realidade virtual para a criação de simulações que possam auxiliar os usuários em situações de riscos se tornará cada vez mais comum.

Esses modelos ajudam a entender o que realmente deve ser feito em caso de problemas e permitem que o usuário tenha em mente todos os passos de segurança para proteger a própria vida.

Organizar grandes simulações é algo complexo, principalmente em ambientes com vários indivíduos, como uma escola. Com o auxílio da RV, é possível simular individualmente uma situação de risco e obter maiores êxitos para um momento real.

Treinamentos

Pilotos de aeronaves já utilizam simuladores de voo para realizar a sua habilitação há anos, e com a popularização da realidade virtual a indústria poderá iniciar o treinamento de seus funcionários para rotinas do dia a dia.

Isso ajudará a economizar muitos recursos e poderá garantir funcionários mais preparados para agir no dia a dia e em suas tarefas rotineiras, garantindo melhores resultados para as empresas.

Além disso, temos o fator segurança, pois, uma vez que o treinamento será realizado em um ambiente totalmente virtual, o colaborar não vai correr nenhum tipo de risco ao realizar algum procedimento de forma errônea.

Qualidade de vida

Infelizmente, existem muitas pessoas que não podem se locomover, seja por algum tipo de deficiência ou até mesmo por causa da idade avançada que causa perda de mobilidade e impede que esses indivíduos possam aproveitar a vida.

Os ambientes virtuais podem ser uma ótima maneira de as pessoas visitarem e conhecerem novos lugares, melhorando sua condição de vida atual e obtendo melhor perspectiva de futuro, além de ser algo muito estimulante para evitar a solidão para idosos.

One Caring Team, empresa americana, já patenteou uma solução de realidade virtual voltada para melhorar a qualidade de vida de idosos, permitindo que eles se conectem a outras pessoas em mesma situação ao redor do globo. A plataforma foi batizada de Aloha VR.

Arquitetura e imóveis

Que tal realizar uma visita a um imóvel sem sair de sua casa? Esse tipo de serviço pode revolucionar a venda de propriedades e é a proposta para o futuro do setor de imóveis, que se tornará possível com o auxílio da realidade virtual.

As pessoas terão a possibilidade de realizar um tour virtual por construções ainda não finalizadas, o que pode ajudar a decidir pela compra do imóvel. Hoje as construtoras têm de criar modelos físicos e réplicas do produto final para criar essa ambientação, o que envolve custos extras bem elevados.

No futuro poderá ser realizada toda a modelagem em 3D, permitindo a visitação de forma simples e rápida, sem a necessidade de deslocamento até o ambiente, melhorando a atração de clientes e a venda dos imóveis.

Ainda na questão de arquitetura, podemos destacar o uso da realidade virtual para imersão no modelo construído pelo arquiteto para visualizar melhor a forma e o design da construção após sua finalização.

Conferências

Você já pensou em ir a uma conferência, mas não tinha condições financeiras ou não podia sair da cidade por conta de algum compromisso? Isso é algo comum, mas que deixará de acontecer daqui a algum tempo.

Hoje grandes eventos já lançaram tours virtuais por seus espaços. É o caso da Comic Con Experience. Porém, essa imersão é simples, pois trata-se de uma aplicação limitada que não possibilita a livre circulação por toda a área.

A realidade virtual permitirá a criação de ambientes compartilhados, nos quais as pessoas poderão se encontrar, trocar ideias, experiências e fazer networking. Tudo como acontece em um ambiente real, só que sem a necessidade de sair de casa.

Marketing

O marketing é outro setor no qual podemos esperar novidades em relação ao uso de realidade virtual. Aplicações podem permitir a imersão em ambientes para o teste de produtos.

Com isso, a atração de público e leads de qualidade será melhorada e a experiência do cliente com a marca será levada a outro patamar. Mais um ponto é a popularização dos comerciais em 360º.

Mesmo que o primeiro comercial com essa tecnologia tenha sido lançado em 2009 pela AXE — não se encontra mais no ar —, a novidade ainda não deslanchou por causa da baixa adesão pelos hardwares de RV.

Os principais desafios para a evolução do setor

Alguns desafios ainda perduram para a popularização da realidade virtual por parte dos usuários. O principal deles é a falta de aplicações interessantes e bem construídas para a RV.

Mesmo que possamos dizer que os jogos estão na vanguarda da tecnologia, até mesmo os games que fazem uso da realidade virtual — com utilização de um hardware específico, óculos e fones — são muito simples e não apresentam grandes vendas.

A exemplo da aposta da Sony em lançar sua plataforma de RV, acoplada ao Playstation 4, a iniciativa faz parte de uma tentativa de popularizar o mercado de games de realidade virtual e ganhar espaço nesse novo paradigma.

Enquanto o console da Sony vendeu cerca de 60 milhões de unidades até 2017, os óculos de realidade virtual da empresa ficaram com números perto da casa de 1 milhão.

Pode parecer muito à primeira vista, mas boa parte dos gamers não se interessou pela novidade, e isso se deve ao pouco conteúdo que foi produzido para a plataforma de RV, que não compensa o investimento no acessório.

Contudo, o desenvolvimento de conteúdo para aplicações de realidade virtual depende exclusivamente da evolução da tecnologia. Como até o momento as ferramentas de criação são limitadas, o hardware não é tão potente e ainda está em desenvolvimento, a maioria das pessoas e empresas ainda não se interessou  por investir na tecnologia.

Dessa maneira, vemos apenas as gigantes da indústria injetando dinheiro no desenvolvimento de software e hardware de realidade virtual, bem como apostando no futuro da RV daqui a alguns anos, com a popularização da tecnologia.

Podemos esperar grandes novidades no futuro da realidade virtual nos negócios, e as empresas que partirem primeiro em direção a esse conceito poderão conquistar um lugar de destaque no mercado. É preciso lembrar que todas as grandes organizações já estão se voltando para a RV.

Ainda não acabou! Entenda mais sobre os futuros impactos da Realidade Virtual e de novas tecnologias em nossas vidas no infográfico “A linha do tempo das tecnologias emergentes”!