Para refletir sobre as mudanças que a Transformação Digital promete para as profissões jurídicas, é preciso entender a relação entre os negócios e a tecnologia na atualidade. Para isso, considere o caso das empresas aéreas.

Desde quando passaram a permitir a compra de passagens online, deixaram de ser apenas negócios de aviação. E, assim, se tornaram também empresas de tecnologia digital. A qualidade do serviço prestado agora depende do conhecimento e dos avanços. Os quais permitem agregar novos processos aos que já tradicionalmente eram executados.

Nas profissões jurídicas, essa característica multidisciplinar está presente de modo ainda mais significativo. Saiba como!

As novas profissões jurídicas

Nesse contexto, surgem novas especialidades, profissões e conhecimentos necessários ao exercício do direito. Embora representem um desafio, também se caracterizam como oportunidades, especialmente no campo da inovação e da inteligência jurídica.

Para aproveitá-las, é fundamental:

  • Assumir uma atitude compatível com a nova dinâmica dos escritórios de advocacia;
  • Estar aberto às mudanças que podem ocorrer durante a carreira;
  • Desenvolver novas habilidades de acordo com a demanda dos processos;
  • Ter conhecimento sobre programação, como linguagem jurídica usada em chatbots;
  • Prestar atenção na Transformação Digital que ocorre no mercado.

Nesse contexto, são várias as novas profissões jurídicas nas quais é possível focar. Vejamos algumas que merecem destaque. Ao conhecê-las, ficarão claras as competências necessárias para o advogado 4.0.

Legal Engineer

Você certamente já ouviu falar da aprendizagem por máquina aplicada ao Direito. Pois bem, se um sistema computacional é capaz de aprender, ele precisa de um professor. Esta é uma boa analogia para a profissão de engenheiro jurídico.

Ele tem a função de transmitir regras que devem ser adotadas pelas inteligências artificiais. Mesmo os algoritmos mais simples precisam de diretrizes categóricas para executar funções e procedimentos.

Privacy manager

A privacidade é um dos aspectos mais delicados nas mudanças promovidas pela Transformação Digital. Essencialmente, ela implica uma nova forma de administrar dados e informações. Todo o esforço de oferecer serviços e experiências mais valorosas para o consumidor depende do seu interesse pela informação.

Por isso, diversos empreendimentos se dedicam a conhecer os hábitos e comportamentos dos clientes. O objetivo é elaborar soluções melhores aos problemas com os quais eles convivem. Nesse exercício, as empresas levantam dados privados. O que faz com que governos e pessoas se preocupem com a forma com a manipulação dessas informações.

O “gerente de privacidade” é o profissional responsável por garantir cuidados com todas essas preocupações. A sua atuação está prevista na Lei Geral de Proteção de Dados.

Compliance

A atividade de compliance tem sido adotada como alternativa por vários profissionais do Direito. Mas assume um novo formato conforme as inovações avançam.

A adoção de boas práticas gerenciada por essa atividade envolve mais do que procedimentos legais. O que exige dos advogados conhecimento sobre as novas tecnologias aplicadas aos negócios.

A tecnologia ajuda advogados que realizam trabalhos de compliance a rastrear problemas de conformidade em fornecedores e parceiros. Isso garante a qualidade e proveniência dos suprimentos. Além, é claro, de assegurar o cumprimento das regras contratuais.

Banking compliance officer

Os bancos já necessitavam de profissionais em compliance anteriormente. Mas, agora, essa demanda é reforçada pela mudança que a tecnologia promove no setor. Hoje, empresas de pequeno porte ameaçam os grandes bancos com inovações tecnológicas e novos modelos de negócios. Normalmente, isso acontece com especialistas em algum serviço bancário, como pagamentos ou cartões de crédito.

Dessa maneira, a conformidade para essas empresas também envolve aspectos tecnológicos, adequações e até novos formatos de contratação no contexto da Nova CLT, por exemplo.

Cybersecurity professional

Crimes cibernéticos são cada vez mais comuns e sofisticados. Por mais que um advogado conte com peritos e especialistas, certos conhecimentos são necessários para atuar na área com excelência.

Sendo assim, desenvolver essas competências pode ser um grande diferencial para um profissional abrir portas e conquistar oportunidades lucrativas.

Risk manager

Os escritórios de advocacia trabalham com uma grande quantidade de dados de seus clientes e podem ser alvo de hackers. Em todo o mundo, eles contratam gerentes de risco. Os quais também são encarregados de contratar seguros e garantir a adoção de práticas internas de segurança.

A função requer um alto nível de conhecimento sobre as novas tecnologias. Mas o entendimento sobre os aspectos legais é indispensável para um bom resultado nesse campo.

Data analyst

O Big Data entrou no mundo jurídico. Com ele, os analistas de informação usam dados judiciais em sistemas de aprendizado de máquina e de inteligência artificial. Seu principal objetivo é prever os resultados de questões legais.

As empresas que operam no setor precisam de analistas com conhecimento sobre, principalmente, leis de patentes e propriedade intelectual.

Project manager for technology companies

Grandes empresas de tecnologia contam com departamentos jurídicos que, geralmente, contratam graduados em Direito como gerentes de projeto. Eles negociam, mantêm e renovam contratos, garantindo que a empresa cumpra termos contratuais.

Technology transfer officer

Grandes empreendimentos do setor de tecnologia têm preocupações no campo de patentes, confidencialidade e transferência de tecnologia. Afinal, isso envolve o principal patrimônio para quem investe em pesquisa e desenvolvimento.

Assim, elas precisam de especialistas para proteger suas inovações mundialmente. Esses profissionais também controlam licenças de uso e elaboram formas de coibir a pirataria.

Digital asset protection

Dentre os ativos digitais, existem contas bancárias online, propriedades intelectuais, documentos digitalizados e contas de mídia social. Boa parte do valor de muitas empresas é constituído por ativos digitais, que devem ser protegidos.

Por isso, empresas buscam especialistas nessa área. O entendimento sobre como esses recursos são desenvolvidos e geram valor é tão importante quanto o conhecimento legal.

Para concluir, com base neste conteúdo e de acordo com a realidade das profissões jurídicas, fica claro que apenas a formação tradicional de um advogado não é o suficiente. É preciso investir em especializações e capacitações pontuais, além de buscar continuamente por informação.

Tem alguma dúvida, ressalva ou opinião sobre o tema? Use o espaço abaixo para comentar.

Equipe Marcelo Tostes

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