As lições de Transformação Digital da Retail Tech Conference 2017

Retail Tech Conference 2017

Hoje participei de mais um evento do Startse, que é um dos grandes ecossistemas de startups do país: o RetailTech 2017.

Há algum tempo os acompanho. Primeiro como audiência, depois como fornecedor, com a solução de atendimento de uma das startups, a Huggy, e agora também como parceiro em alguns eventos.

O assunto do dia foi varejo, que corresponde nada menos do que R$2,8 trilhões – baseado no consumo das famílias, que é a principal referência do volume da movimentação do setor.

Isso representa 47,4% do PIB. Mesmo se tirarmos o consumo de carros e construção, o que resulta no chamado varejo restrito, os números são muito expressivos, chegando a R$ 1,4 trilhões, ou 23,6% do PIB (dados do IBGE 2015).

Entre as apresentações em nosso stand e networking com as empresas vizinhas, consegui ver algumas palestras e um painel com Jorge Saraiva Neto, da Saraiva, e Rui Cunha, do Walmart, mediado pelo Junior Borneli, fundador da Startse. Nele, algumas coisas me chamaram atenção, e quero compartilha-las:

01. Ambos afirmaram que suas empresas estão passando por uma transformação digital

“Ah, mas todo o mundo está”.

Uma coisa é estar sendo impactado pela transformação digital. Isso até o seu zé da banca de revista está.

Agora, ser protagonista desta onda, extrair os benefícios dela, errar rápido para acertar rápido, ter estratégias definidas – como a Magazine Luiza (que também palestrou no evento, representada pelo André Fatala), que ainda deixa claro e público no seu portal – é outra coisa.

Entenda: estratégia da Magazine Luiza

Ou ainda tendo times dedicados a TD, como o IDC previu: “até o final de 2017, 70% das empresas listadas na Fortune 500 terão times dedicados à transformação digital.”.

Isso está acontecendo e a Coca-Cola é um exemplo. Aí sim existe o processo.

Retail Tech Conference 2017 - CDO da Coca-cola

02. Experiência omnichannel

Seja em loja física, app, compra no site e retira na loja, recebe em casa e troca na loja, o cliente tem que ter a mesma experiência. Que deve ser fácil e simples.

Confirmando estes fatos, uma recente pesquisa da Walker Report diz que, até 2020, a experiência do cliente superará o preço e o produto como o diferenciador chave da marca, e 86% dos compradores pagarão mais para terem uma melhor experiência.

03. Mantenha-se Beta

Walmart não só vem comprando startups, como buscam trabalhar como uma, logicamente guardadas as devidas características e possibilidades.

Outro ponto que o Rui trouxe com bastante destaque em relação as startups foi o fato de que além de ter comprado a da Jet.com por 3 bilhões de dólares, nomeou o cofundador e CEO da Jet, Marc Lore, como Diretor Executivo do Walmart E-commerce, o que foi uma disruptura total do modelo adotado até então.

04. Cultura

Por último, o que eu achei mais marcante que foi quando o Jorge falou sobre o processo de transformação digital da Saraiva e trouxe um ponto geralmente negligenciado que é a mudança da cultura.

Geralmente se associa o tema Transformação Digital exclusivamente tecnologia, mas qualquer transformação depende de gente, de cultura e, claro, de um novo mindset.

Ao final, tive a oportunidade de fazer duas perguntas ao Jorge que foram:

– Qual é o principal desafio da cultura da transformação digital? E qual a principal estratégia para fazer acontecer?

Parafraseando as resposta do Jorge:

O maior desafio é lidar com as pessoas. Falar para a liderança alterar a maneira que ela sempre fez as coisas que sempre deram certo é difícil.

Criar a tolerância ao erro: a experimentação é um desafio grande que necessita de muita comunicação.

Estratégia é ter as melhores ferramentas de comunicação, ter o discurso de experimentação, do novo, do descobrir constantemente, no seu dia a dia, portais internos, grandes reuniões da companhia e sempre comunicando.

A transformação da cultura passa sempre por comunicação e é um exercício diário, que demora 3 a 4 anos.”.

Diretor Comercial na Huggy.io