Habilidades cognitivas e metacognitivas e sua relação com o futuro do trabalho

Entenda a importância de habilidades cognitivas e metacognitivas para o futuro do mercado de trabalho

A vida passa a ter sentido através do conhecimento, certo? E quando falamos de conhecimento estamos nos referindo às habilidades cognitivas e metacognitivas. Elas são basicamente tudo o que aprendemos, como: ações básicas do dia a dia, regras de convívio social, o aprendizado acadêmico e toda a consciência que possuímos sobre nossos próprios processos cognitivos.

Ficou confuso? Saiba que essas habilidades são assimiladas desde o nascimento e marcam o desenvolvimento e crescimento (pessoal e profissional) de cada ser humano. Além disso, elas são competências obrigatórias para os novos modelos de negócio instituídos na era digital.

Para esclarecer melhor o que são habilidades cognitivas e metacognitivas e sua relação com o futuro do mercado de trabalho, preparamos este post. Acompanhe!

Habilidades cognitivas

É o nome dado à capacidade que o ser humano possui de absorver conhecimento. Não é apenas o que é aprendido na escola, trata-se de todas as informações que recebemos, assimilamos e utilizamos para compreender o mundo.

O bebê já recebe estímulos que serão importantes para que ele consiga interagir de forma simbólica com o meio ambiente. Assim, ele explora objetos e o espaço com os sentidos, principalmente o tato.

Quando se fala da importância de estimular os pequenos com materiais de texturas variadas, incentivando que pisem na grama, areia, etc., é justamente para estimular a aquisição dessas competências.

Dessa maneira, o desenvolvimento da criança acontece com as habilidades cognitivas que vai adquirindo e que permitem a ela distinguir e interpretar objetos, fatos, regras, conceitos, desenvolver o raciocínio e resolver problemas.

Na escola, ela aprende as habilidades de raciocínio matemático, noções de história, regras de português, entre outras disciplinas curriculares.

Não se trata de “decoreba”

É importante salientar que tais habilidades não se tratam de memorização ou “decoreba”, muito pelo contrário, elas são aquilo que foi assimilado de fato e, assim, se tornou um conhecimento.

Pense quando você está dirigindo. Todas as suas ações são automáticas, certo? Isso porque você realmente aprendeu sobre o funcionamento do carro e as regras de conduta no trânsito. Se o semáforo está vermelho, por exemplo, você freia o automóvel naturalmente.

Na leitura deste texto, você não fica analisando letra por letra e sim palavras e seus significados ao longo desta frase e o conceito maior disso tudo. É um processo feito de forma automática.

Por isso, quando falamos de habilidades cognitivas estamos englobando tudo o que foi assimilado ao longo da vida, desde interpretar que quando o telefone toca é preciso atender, até o conteúdo apresentado em uma disciplina das aulas de doutorado.

Como nossa capacidade de assimilação vai sendo aprimorada com o tempo, a construção desses processos mentais vai ficando cada vez mais complexa com a maturidade.

Habilidades metacognitivas

Bom, agora você já entendeu que as habilidades cognitivas são tudo o que assimilamos em nosso cérebro. Mas e as habilidades metacognitivas?

A metacognição é quando refletimos e controlamos os processos de cognição. Por exemplo, você já se pegou lendo um texto sem conseguir absorver nada do que estava escrito? Quando você nota que isso acontece, direciona o seu cérebro para se concentrar e analisar aquelas informações, ativando uma habilidade metacognitiva.

De forma resumida, seria o “pensar sobre o pensar”. Quando você está assistindo a um filme e tem um pensamento crítico sobre uma cena trata-se de uma competência de metacognição.

O mais interessante disso tudo é que podemos criar estratégias para compreender melhor um assunto e, assim, aprender mais.

Indivíduos com essa habilidade desenvolvida conseguem resolver melhor os problemas, controlar as emoções — administrando a ansiedade na hora de uma avaliação, por exemplo —, lidar com conflitos e casos de maior complexidade. Além disso, são mais abertos às novidades, conseguindo trabalhar melhor e se adaptar mais facilmente às novidades propostas pela tecnologia.

Vida escolar

A metacognição deveria ser uma habilidade incentivada desde os primeiros anos da vida escolar. Os professores, ao invés de só comprovar o conhecimento dos alunos no dia da prova, poderiam criar estratégias para descobrir se as crianças estão mesmo aprendendo.

E isso não é difícil: uma roda de conversa para saber quais são as dúvidas, levar o aprendizado dos livros para o dia a dia das crianças, um jogo de tabuleiro em que o lúdico ajude no aprendizado, fazer uso de recursos digitais, dentre outras medidas.

Ainda temos uma cultura escolar que preza a memorização do conhecimento: o aluno deve estar com tudo na ponta da língua para o dia da prova. Porém, para a maioria deles, esse processo não gera aprendizado.

Como consequência, esses estudantes podem sofrer no ensino superior, pois é quando precisam realmente aprender habilidades que serão aplicadas na vida profissional, e não apenas assimilar conteúdos para alcançar uma boa nota no boletim.

Leia também: O papel do professor diante das novas tecnologias na educação

As habilidades e o futuro do trabalho

Habilidades cognitivas e metacognitivas bem desenvolvidas podem fazer a diferença no mercado de trabalho. Colaboradores com essas competências estão mais preparados para aprender — ponto fundamental na era da transformação digital —, trabalhar em equipe, expor suas ideias, identificar obstáculos e saber como ultrapassá-los.

Além disso, são pessoas que estão abertas para a inovação, conseguem usar a tecnologia de modo estratégico, pensam de forma analítica e sabem se comunicar claramente, regulando as emoções no ambiente organizacional e no contato com o público.

Uma empresa que enxerga e preza essas habilidades entende melhor as demandas e mudanças de comportamento de seus clientes, enxergando-os como indivíduos únicos e conseguindo, dessa forma, se relacionar de um modo que vai além do mero processo de compra e venda.

É uma transformação de modelo de negócio, que pensa nas melhorias dos produtos e serviços, valorizando sempre a experiência do consumidor.

A metacognição é, portanto, a chave para as organizações que querem acompanhar toda a transformação pela qual a sociedade vem passando em razão da era digital. Além de ser, para o profissional, uma habilidade que pode fazer total diferença na carreira.

Um novo modo de pensar e aprender, que une as habilidades cognitivas e metacognitivas, é o que deve ser trabalhado nos indivíduos e culturas organizacionais. O conhecimento e a compreensão de como se dá esse processo são competências fundamentais para o profissional da era tecnológica.