Cultura de riscos: como inovar em um mercado mutável

Cultura de Riscos

Toda organização vive com a probabilidade de ocorrências internas ou externas acontecerem, independentemente da vontade dos colaboradores e gestores. Esse tipo de situação sempre causa um impacto no negócio, que pode, muitas vezes, ser prejudicial. Entretanto, devemos ter em mente que, na Transformação Digital, por trás de toda ameaça existe uma oportunidade e tudo depende da forma como o cenário é visto. É justamente nesse contexto que o conceito de cultura de riscos ganha forma e importância.

No mercado volátil de hoje, que se transforma de modo acelerado e constante, o risco é um fator iminente. Saber gerenciá-lo com maestria é a chave para o sucesso. Afinal, em excesso, ele pode afetar a estrutura e a reputação da empresa, mas arriscar continua sendo necessário para promover a inovação, agregar mais valor a uma marca e liberar seu potencial de crescimento.

Preparamos este artigo para que você entenda melhor o conceito, sua relevância para os negócios e como implantar uma cultura de riscos no seu negócio. Confira:

O que é cultura de riscos?

A cultura organizacional fala sobre o conjunto de padrões, atitudes, valores e práticas que tornam uma empresa única. Ela é um organismo vivo e, essencialmente, dita as normas de como as pessoas desempenham suas funções e se movimentam em um determinado ambiente de trabalho.

Partindo desse princípio, a cultura de riscos é um elemento que complementa a macro cultura organizacional. Ela trata da forma como a instituição — independentemente do seu segmento, porte etc — lida e se posiciona diante de ameaças. Logo, ela engloba mecanismos, procedimentos, valores e objetivos que vão guiar as tomadas de decisões e condutas de uma empresa diante do risco, avaliando os possíveis impactos e resultados — positivos ou negativos — de uma situação.

Como ela impacta uma empresa?

Riscos podem afetar corporações em diferentes níveis. Além disso, situações diferentes podem interagir, potencializando o problema. Por exemplo, a entrada de um novo concorrente no seu nicho, que oferece um produto semelhante ou melhor ao seu, pode desencadear questões como perda de mercado e relevância, crise nas vendas, prejuízo financeiro, entre outros.

Ao mesmo tempo, o que parece uma ameaça pode ser uma boa notícia e funcionar como porta de entrada para mudanças benéficas e boas oportunidades. Muitas empresas experimentam isso ao assumir riscos associados à implantação de novas tecnologias, mudanças no modelo de negócios ou no portfólio de produtos e até mesmo via fusões e aquisições. Todos esses exemplos são capazes de impulsionar o crescimento e elevar a lucratividade se forem bem conduzidos.

Por isso, independentemente do caso, uma cultura de riscos bem estruturada é essencial para gerenciar essas situações de perigo de modo mais eficaz, explorando todo o seu potencial e evitando que a organização fique exposta a perdas.

Nesse sentido, a cultura de riscos é importante para definir processos e comportamentos ligados à gestão de mudanças que preparem equipes para transformações e cultive a habilidade de se adaptar e aprender constantemente com erros e flutuações do mercado.

Qual sua importância na transformação digital?

A transformação digital impõe um panorama de transições aceleradas, disruptivas e, para muitas instituições, inesperadas. Adotar uma cultura de riscos é essencial para lidar com os efeitos súbitos. Sua base deve ser promover um ambiente em constante mudança e evolução, alinhado com o futuro.

Nesse ponto, vale ressaltar que a própria cultura organizacional é um fator que bloqueia ou facilita um processo de transformação digital: muitos gestores se mantêm reticentes ou resistentes à adoção de softwares ou novos recursos enquanto alguns colaboradores, estimulados pelo ambiente, permanecem apegados a um sistema antigo e enfrentam dificuldades para se acostumar com uma nova estrutura ou metodologia.

Considerando a transformação digital um caminho sem volta, inovar é necessário para qualquer negócio que deseja se manter firme na conjuntura atual e ganhar competitividade. Portanto, saber calcular e tomar riscos na medida certa é um diferencial para conseguir inovar efetivamente, se destacar e responder ao mercado — e suas flutuações — adequadamente e com segurança.

Como desenhar e implementar uma cultura de riscos?

Como vimos, uma cultura de riscos tem um papel crucial no fortalecimento e sustentabilidade dos negócios, já que visa promover um espaço preparado para a evolução e para abraçar mudanças. Confira agora um passo a passo para iniciar essa transição na sua empresa:

01. Defina a cultura de riscos desejada e alinhe visões

Para começar, gestores e colaboradores importantes da instituição devem se reunir e integrar percepções. Quais são os objetivos do negócio e onde gostariam que ele estivesse? Essas e outras questões precisam ser levantadas para gerar metas, indicadores de desempenho e estratégias ordenadas.

A adesão e o comprometimento da alta gestão são vitais para esse processo, uma vez que o estabelecimento de uma cultura se dá, de fato, de cima para baixo. Logo, assegure o alinhamento da comunicação, propósito e abordagem desse projeto para que o estabelecimento da cultura de riscos tenha peso e solidez.

02. Avalie a situação atual de risco

É nesse ponto que deve-se analisar a situação da empresa atualmente e como ela encara riscos. Investigue que ações já foram tomadas em relação ao tema, por exemplo:

  • Como riscos são monitorados e gerenciados?
  • A alta gestão tem um papel ativo no controle e mitigação de riscos?
  • Algum tipo de método é usado para medir riscos?

Feito esse levantamento, conduza uma pesquisa em toda a empresa. Essa iniciativa é válida para começar a espalhar a cultura de consciência do risco na organização e, ao mesmo tempo, entender qual é a real atitude de todas as equipes em relação ao tema.

Uma vez que você souber mais sobre a realidade da companhia, pode comparar esses resultados com o que foi debatido durante as reuniões de alinhamento anteriores e, assim, traçar um roteiro do que precisa mudar e fazer parte desse projeto.

03. Prepare e treine a equipe

Dedique tempo para explicar para todos os colaboradores a ideia por trás dessa empreitada e a importância de uma cultura de riscos para o desenvolvimento do negócio.

Para facilitar o processo e garantir que eles tenham melhor entendimento sobre o assunto, é possível elaborar treinamentos focados em cada departamento que abordem riscos e aspectos específicos da rotina de trabalho daquela área.

Essa ideia tende a gerar resultados mais efetivos, pois comunica para as pessoas informação dentro do contexto em que elas estão habituadas, mostrando como ameaças e oportunidades podem afetar seu trabalho e gerando mais engajamento.

Uma cultura de riscos determina a capacidade coletiva de uma organização de identificar e medir ameaças, bem como agir diante de ocorrências atuais e futuras. Ela é importante na hora de mitigar situações prejudiciais e também entender o quanto arriscar de acordo com os desejos, objetivos, visões e estratégias da companhia. Portanto, aproveite nossas dicas para criar a sua e compreender como monitorar e gerenciar os contratempos que sua organização pode enfrentar.

Para continuar aprendendo a guiar seu processo de inovação, descubra agora como se planejar estrategicamente para 2019 tendo a transformação digital como foco!

Cofundador do TransformaçãoDigital.com.

Eduardo Wolkan é bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com ênfase em marketing e comportamento do consumidor. Entusiasta do meio digital e fascinado pela internet, fez do hobby sua profissão e hoje atua com projetos de transformação digital para empresas tradicionais.