Muito se falou (e se fala) sobre os Millennials. Mas ainda hoje, com gerações mais novas pedindo passagem, não podemos dizer que dispensam apresentações, ou pelo menos que sejam 100% compreendidos. Sua resiliência no trabalho, por exemplo, é um tópico que pode e deve ser melhor desenvolvido se quisermos realmente encontrar o que esta geração tem de melhor a oferecer.

Mas antes de aprofundar no assunto resiliência, talvez seja melhor garantir que a gente esteja na mesma página. Então vamos lá: Millennials (geração Y) é o nome dado às pessoas que nasceram entre o início dos anos 80 e o final dos anos 90. São aqueles jovens (alguns hoje nem tanto) que acompanharam de perto o boom da internet e são considerados os pioneiros digitais. 

Se você quiser aprender um pouquinho mais sobre eles, recomendamos esta leitura

Uma de suas características que mais chama a atenção, é aquela tendência de “pular de galho em galho” até encontrar o trabalho dos sonhos. Ao mesmo tempo, os Millennials são considerados esforçados (quando motivados) e inovadores. 

Esses dois lados da mesma moeda alimentam as dúvidas voltadas à sua resiliência no trabalho. Mas aí está um ponto crucial: você realmente sabe o que é resiliência e como isso influencia nas nossas rotinas? Vamos explicar:

O que significa ter resiliência no trabalho?

O conceito de resiliência vem da física. Trata-se da capacidade dos materiais voltarem ao seu estado natural, sem deformações, após serem expostos a condições adversas. Ou seja, semelhante ao significado que adotamos na vida e no ambiente de trabalho: nosso poder de superar situações extremas sem ser afetado de maneira negativa.

Neste caso, o erro mais comum está em definir resiliência como uma qualidade exclusiva de algumas pessoas. A verdade é que todos nós possuímos essa característica, o que varia é o quanto somos resilientes e qual é o nosso perfil de resiliência.

Entender esse conceito é fundamental para avaliar o comportamento dos Millennials (assim como de qualquer outra pessoa), principalmente se você quiser mantê-los no seu time por mais tempo.

Perfis de Resiliência

Saber que todos somos resilientes pode soar até como um alívio para alguns. Se esse é o seu caso, saiba que essa história fica ainda melhor: podemos aumentar nossos níveis de resiliência em diferentes aspectos. 

Tudo é uma questão de autoconhecimento e de aprender algumas técnicas sobre como desenvolver nossas características pessoais.

É nesta linha que surge o Questionário de Resiliência, softwares de RH que busca entender mais profundamente as características de um colaborador e assim oferecer um feedback de onde e como a resiliência pode ser melhor trabalhada. O “cálculo” da resiliência é baseado em oito aspectos:

  • Autoconfiança;
  • Otimismo;
  • Direção com propósito;
  • Adaptabilidade;
  • Criatividade;
  • Orientação para desafio;
  • Controle emocional;
  • Busca de apoio.

Agora que sabemos que não existe “sim” ou “não”, apenas níveis e perfis, podemos seguir para a pergunta-chave deste post.

Afinal, os millennials são menos resilientes?

Para buscar uma resposta para essa questão, é importante ter em mente que toda pessoa, e toda empresa, são diferentes umas das outras. Além disso, voltamos a reforçar que a resiliência não é um conceito único, ela possui diferentes aplicações. 

Por exemplo, uma mesma pessoa pode se adaptar facilmente a novos ambientes, ao mesmo tempo em que tem uma dificuldade maior para enfrentar novos desafios na carreira. As duas situações estão ligadas a esse tópico.

Por outro lado, existem alguns dados bem relevantes que também podem ser levados em consideração. É o caso da pesquisa chamada “Millennials in Europe and Brazil”, realizada pelo Grupo Geometry/WPP, que organizou uma lista de desejos entre os entrevistados. 

No resultado, a Qualidade de Vida (38%) aparece em primeiro lugar. A Carreira (24%) ficou na segunda posição, seguida por Dinheiro e Contribuição para a Humanidade (ambos com 19%).

Outra pesquisa, esta realizada apenas no âmbito internacional, aponta os 5 maiores motivos que levam um millennial a pedir demissão. Em ordem: 

  1. Não gostar da atmosfera do escritório; 
  2. Não ter horários flexíveis; 
  3. Enfrentar dificuldade para sair do trabalho por motivos pessoais (como doenças, por exemplo); 
  4. Não ser amigo dos colegas de trabalho; 
  5. Impossibilidade de trabalhar remotamente.

Esse tipo de informação, aliada aos conceitos de resiliência, nos permite gerar alguns insights (nunca uma verdade absoluta). Por exemplo: é viável imaginar que os millennials, em sua maioria, apresentam índices maiores de resiliência nos eixos do propósito, do otimismo e criatividade. 

Isso explicaria essa maior tendência a mudarem de emprego ao mesmo tempo que são considerados trabalhadores esforçados e tenham a capacidade de pensar fora da caixa. 

Porém, esse exercício só reforça a importância de contar com ferramentas que avaliam o indivíduo de maneira profunda/pessoal. Afinal, aquilo que fortalece um, pode ser exatamente o ponto fraco de outro.

Como tornar millennials mais resilientes?

Para desenvolver a resiliência de uma pessoa, é preciso entendê-la de uma maneira profunda, e, acima de tudo, abandonar o uso de rótulos. Para isso não existe Millennial, Baby Boomer ou Nativo Digital. Mesmo que cada uma destas gerações possua certas tendências comportamentais, o desenvolvimento da resiliência é uma tarefa extremamente personalizada. 

A boa notícia é que as empresas podem contribuir para este desenvolvimento. Novamente, é válido reforçar a importância das ferramentas de avaliação de resiliência, que oferecem esse aprofundamento nas características emocionais de uma pessoa, auxiliando na busca pelo aprimoramento da sua resiliência, e possibilitando que gestores saibam como proporcionar um ambiente favorável.

As vantagens de trabalhar com millennials resilientes

Saber que possuímos perfis diferentes de resiliência não significa que uma empresa precisa proporcionar um parque de diversões personalizado para cada colaborador. Bem pelo contrário, fit cultural e assertividade nas contratações mostram-se cada vez mais relevantes.  

Mas considerando que você encontrou o colaborador certo para a vaga certa, ainda assim você pode desenvolver sua resiliência. Até porque, no mundo corporativo atual, é quase impossível evitar certos momentos de tensão, como:

  • Cobranças contínuas;
  • Prazos apertados;
  • Feedbacks negativos;
  • Relacionamento com clientes extremamente exigentes;
  • Mudanças constantes do mercado.

Trabalhar a resiliência em seus diferentes eixos significa que uma pessoa terá maior capacidade de enfrentar esses desafios sem apresentar efeitos colaterais como desmotivação, stress (excessivo) ou até mesmo um pedido de demissão(!).

Além disso, o aumento da resiliência está intimamente ligado à motivação e alta performance. Contar com um millennial no auge da sua vontade e desempenho significa que você tem a colaboração de alguém profundamente familiarizado com este mercado pós transformação digital e que, mesmo colocando a felicidade em primeiro lugar, é ambicioso e visa grandes objetivos. 

Neste caso, o “pulo do gato” está em alinhar sua empresa com o propósito desta pessoa, considerar oferecer condições de trabalho que condizem com seu perfil, e estimular aquilo que chamamos de intraempreendedorismo

Existem inúmeras maneiras de buscar motivação e retenção de talentos. Tanto entre millennials quanto no ambiente corporativo de maneira geral. Mas o que fica claro entre especialistas de RH, é que o desenvolvimento de resiliência é extremamente eficaz independente da geração.

Mariana Uebel

Psicóloga, com MBA em Gestão Empresarial. Especialista em Gestão Comportamental e Terapia Cognitivo Comportamental. Co-founder e CEO da Grou há 16 anos. Apaixonada pelo mercado B2B, responsável por implementar, conduzir e apoiar o processo de gestão comercial. Hunter de tendências para Gestão de Pessoas, com experiências internacionais, sempre considerando o desafio do cenário econômico nacional, futuro do trabalho e employee experience.

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