Muita gente torce o nariz para o termo “transformação digital”, e eu consigo compreender o motivo. É uma “buzzword” como outra qualquer e “buzzwords” são sempre algo que devemos olhar com cautela. E tem também aquelas pessoas que pensam que transformação digital é sinônimo de novas tecnologias como nuvem, inteligência artificial, blockchain, impressão 3D e tantas outras “buzzwords” do momento.

A tecnologia é importante sim. Se alguns anos atrás, algumas empresas não olhavam para a TI com cuidado, hoje o cenário mudou. Mas a transformação digital é muito mais voltada para o fomento de uma cultura que frequentemente desenvolve novas soluções, busca feedback e agrega valor ao cliente. Em outras palavras, transformação digital é colocar o foco no usuário, eliminando barreiras na experiência do cliente, respeitando as pessoas e o fluxo rápido e contínuo, sem fricções.

Em resumo, as empresas que estão obtendo sucesso nesse processo de transformação digital têm 5 características em comum:

1. Escolhem a tecnologia certa para apoiar seu crescimento

Hoje, o mercado tem mais opções do que nunca quando se trata de tecnologia – e essa não é necessariamente uma boa notícia. O excesso de informação geralmente causa confusão. As empresas vencedoras em transformação digital conseguem navegar pelo hype e dão às suas equipes um conjunto focado de tecnologias para entregar negócios e valor ao cliente de maneira rápida e consciente.

Ao escolher tecnologias, as empresas devem limitar quais estruturas de aplicativos são mais importantes para elas, quais bancos de dados devem apostar, quais plataformas de nuvem fazem sentido. Isso permite que as empresas avaliem novas tecnologias emergentes, mas fazem com que elas não percam tempo com tecnologias básicas, do core do negócio.

2. Usuário no centro do desenvolvimento de produtos

Não importa se as empresas fazem produtos corretos, mas que não geram interesse por parte do consumidor. Como saberão que estão evoluindo a experiência do usuário se não conhecerem as metas dele? Como aprenderão o que mais frustra os clientes se não conversarem com eles? As empresas que se concentram mais na empatia do cliente levam vantagem.

As empresas devem procurar identificar, testar e validar suas premissas durante todo o processo de desenvolvimento do produto. Por exemplo, elas poderiam começar explorando o problema por meio de entrevistas com usuários, partes interessadas e pesquisas de mercado.

Ao criar ideias de protótipos para a primeira versão de um produto, as empresas devem testar esses protótipos com usuários reais e iniciar o desenvolvimento quando tiverem um nível de confiança maior no conjunto inicial de recursos. Eles podem, então, continuar aprendendo e interagindo com o feedback do usuário ao longo do processo de desenvolvimento para reduzir o risco do produto e da execução.

3. Repensando as integrações de dados

Muitas empresas aderiram à inteligência artificial e ao movimento de aprendizado de máquina. No entanto, de nada adianta se eles não tiverem uma ótima captação e processamento de dados.

Estamos vendo cada vez mais o processamento de fluxo e as arquiteturas orientadas a eventos, além de modernizar os fluxos de dados existentes para evoluir do processamento em lote para o processamento em tempo real. Isso afeta as conexões com sistemas locais, plataformas de nuvem e sistemas parceiros.

Fazer bem esse trabalho reduz o desperdício e permite que as empresas atuem mais rapidamente. Se as empresas tiverem uma visão mais precisa do que está acontecendo, elas poderão oferecer uma experiência mais útil aos clientes.

4. Acelerar o time-to-market

Em estruturas lean, o estoque geralmente é baixo. O mesmo se aplica às equipes de software. O código só é verdadeiramente valioso quando está em produção e as empresas estão aprendendo com quem o utiliza. Se as empresas levam a sério a transformação digital, elas devem garantir que o software esteja em integração contínua e em pipelines de entrega contínua. Isso coloca o valor nas mãos de seus clientes mais rapidamente, o que significa que eles têm mais chances de impressioná-los do que seus concorrentes.

5. Fazendo o investimento certo

Não existe almoço grátis; tudo custa algo e a transformação digital não é exceção. No entanto, como as grandes empresas têm maiores recursos financeiros, isso não significa que o dinheiro e os recursos devam ser gastos sem critérios para seguir em frente.

Organizações maiores devem assumir um claro compromisso financeiro com os esforços de transformação, mas isso deve ser feito com previsão e uma estratégia clara em mente. Veja como os capitalistas de risco operam – modelando a inovação e fazendo o investimento financeiro necessário para apoiar este trabalho.

As empresas de sucesso de hoje são aquelas que trazem uma abordagem digital em primeiro lugar para o centro de sua estratégia. Por meio de novos aplicativos, serviços e softwares, as empresas encontrarão maneiras inovadoras de atender às demandas tradicionais dos clientes. Digital – e a conveniência que oferece – é agora o diferenciador; as organizações que não adotarem essa revolução ficarão para trás à medida que os concorrentes usarem a tecnologia para preparar seu modelo operacional para o mundo em que vivemos agora.

A transição de uma empresa tradicional para uma empresa moderna de software não significa não dar valor à infraestrutura, mas sim mudar para plataformas modernas que promovem e aprimoram os conhecimentos e valores essenciais de uma organização. A transformação digital também deve incluir uma ampla mudança organizacional para promover uma verdadeira ruptura, incluindo a adoção de metodologias ágeis e enxutas como substitutos das abordagens tradicionais de como o software e os serviços são construídos e entregues.

Embora seja impossível prever qual empresa será bem-sucedida, os que realizam a transformação digital têm uma forte chance de sucesso. Por quê? Porque eles estão criando uma vantagem competitiva ao repensar os processos existentes e fazer a transição para métodos de desenvolvimento novos e ágeis que se concentram no fornecimento de valor ao cliente.

Igor Lopes

Diretor de Conteúdo no TD Igor Lopes, jornalista, é hoje o Diretor de Conteúdo do TD. É também colunista de tecnologia no BandNews TV. Já passou pelos principais veículos especializados em tecnologia do Brasil. Na NZN, foi diretor de conteúdo das sete propriedades do grupo (Tecmundo, The BRIEF entre outros); no Canaltech foi editor-chefe e cofundador do site. Cobre o mercado de negócios em tecnologia há mais de 12 anos.

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