Nos humanos, há 23 pares de cromossomos, formados por 3 bilhões de pares de bases. São 6 bilhões das famosas letras ATGC, que você deve se lembrar dos tempos de escola. Note que isso é apenas para um humano. Já imaginou o poder computacional necessário para avaliar essa quantidade de combinações?

A TGen (Translational Genomics Research Institute), sediada em Phoenix (Arizona), foi a primeira instituição a sequenciar um genoma para terapia do câncer, e é pioneira em medicina de precisão para câncer infantil. Usualmente, chegam a eles casos onde o tratamento do paciente já falhou no atendimento tradicional.

O processo é complexo: há o tratamento químico que revela as bases em si, que serão tratadas e agrupadas, para só depois começar todo o processo pesado de análise e interpretação. É com essas informações que o grupo médico discute o tratamento, indicando quais seriam as substâncias e doses com maior chance de sucesso.

Isso pode levar um mês ou mais, e as decisões do tratamento dependem da experiência dos médicos e da capacidade computacional para testar as inúmeras combinações e mutações com taxa infinitesimal de erro.

Imagine seu filho doente, com vários tratamentos que não deram certo ao longo de semanas ou meses, e tendo que esperar por mais um processo que – a princípio – significa sua última esperança. Para você, e principalmente para seu filho, qualquer segundo contaria muito, certo?

Pior ainda, temos que lembrar que isso não está acessível a todos (pelo menos não ainda). No entanto, houve muito progresso nessa questão.

O progresso até aqui

Estima-se que o primeiro sequenciamento do genoma humano, concluído após 15 anos de trabalho em 2003, custou entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão. Apenas 3 anos depois, esse processo já custava US$ 25 milhões. Em 2015, esse custo já está abaixo de US$ 1.000 (menos que alguns smartphones).

Em 2017, a Illumina (maior fabricante do setor) anunciou que em poucos anos o custo de um genoma cairá para US$ 100. Com esse custo, será acessível para um número imensamente maior de pessoas!

O custo caiu, mas o tempo de processamento também. Em 2015, o sequenciamento era feito em 50 horas, versus 15 anos que levou para fazer o primeiro em 2003.

A Edico Genome, empresa especializada em processadores para genoma – que recebeu US$ 22 milhões de investimento da Dell Technologies – criou FPGA (Field Programmable Gate Array) que cumpre a análise secundária em 20 minutos.

Nesse tempo, um dia será possível que seu sequenciamento seja feito no leito, ao dar entrada em um hospital.

A inovação não pode parar

O progresso foi exponencial, mas a corrida pelo tempo continua. A TGen, mantendo sua cultura inovadora, decidiu criar a primeira plataforma de supercomputação do mundo específica para o genoma: o TGen Dell Clinical Cluster.

Pelas últimas informações que tive acesso, era composto de 3.000 processadores Intel, fazendo 50 trilhões de operações por segundo, com um volume de dados de 3 PB (petabytes), chegando a quase 60 milhões de Horas CPU por ano para câncer, doenças neurológicas e infecciosas.

Qual o resultado prático na TGen? O processo, da biópsia ao início do tratamento, levava mais de um mês. Após essa Transformação Digital, a TGen passou a cumprir esse processo em até duas semanas.

Diminuir em mais de 50% o tempo para um processo tão complexo, não é trivial. Já é sensacional, mas não é só.

Após essa Transformação Digital, a TGen passou a contar com um processamento computacional que conclui etapas importantes em seis horas. Antes, essas etapas levavam uns 10 dias.

Essa redução é brutal, e extremamente importante para o médico, para o paciente e seus familiares. Cada segundo de espera dói muito.

Mas calma, há mais um avanço para reportar.

Mais máquinas trabalhando significa mais humanos pensando

O comitê médico conseguia se reunir talvez uma vez por mês, já que a carga operacional era enorme.

Com o tempo ganho e agilidade do processo, o comitê passou a se reunir entre duas e três vezes por semana para discutir diagnósticos e tratamentos. Todos esses cérebros, com mais tempo para avaliar os casos, claramente beneficia o paciente por si só.

Muita tecnologia, não? É fato, mas cabe aqui uma reflexão: por vício dos meios de comunicação, e de muitos fornecedores, há uma percepção generalizada que Transformação Digital é uma questão tecnológica.

Não quero soar impositivo, e pode ser estranho para quem lê esse artigo, mas Transformação Digital nunca foi tecnologia. Transformação Digital não é sobre digitalizar algo. Se as pessoas agirem como sempre, com os mesmos processos, a tecnologia pouco ajudará. Mesmo com médicos que abracem a tecnologia, se os processos não são revistos, a tecnologia não consegue mostrar a que veio.

Se você investe em tecnologia e muda os processos, mas as pessoas não se entram na equação, teremos o efeito da conhecida frase de Peter Druker: “A cultura come a estratégia no café da manhã”.

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O verdadeira valor da Transformação Digital na saúde

Não é sobre fazer o médico adorar tecnologia. Não é sobre fazer um processo ser mais rápido. Não é sobre um novo computador brilhando. Um problema de negócio que precisa ser apontado, daí nasce a discussão sobre os processos, e a tecnologia é aplicada para tornar tudo isso viável.

Parece uma sequência linear mas, na prática, tudo isso ocorre em conjunto, já que um tema influencia outro.

Transformação Digital é sobre criar e viabilizar novos modelos de negócio, e não sobre aprimorar modelos existentes. São pessoas, processos e tecnologias agindo em conjunto, para potencializar o progresso humano.

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Para a TGen, seus pacientes e familiares, a resposta da pergunta do título é clara: o valor da Transformação Digital na saúde é salvar vidas, e isso não tem preço. Meu pai morreu há alguns anos devido às complicações de um câncer no intestino e, portanto, não teria como concordar mais com essa afirmativa.

E para você? Qual seria sua resposta ao título?

 

Ricardo Costa

Partner CTO na Dell América Latina Ricardo Costa é Partner CTO da Dell para a América Latina. Atua em TI há 25 anos, em posições técnicas, comerciais e gerenciais, em empresas nacionais e globais. É graduado e pós-graduado em Administração, com mestrado pela University of Manchester, e conta com cursos de especialização em Big Data, Deep Learning, Digital Marketing e AI.

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