Por que essa caneca inteligente virou objeto do desejo nos Estados Unidos?

Ember, a caneca conectada que virou febre no Starbucks

Canecas, há muito tempo, deixaram de ser… canecas. Explico: esses pequenos recipientes foram descobertos há tempos pela indústria do brinde, das lembrancinhas de viagem e até da decoração. Ainda são destaque em programas de TV e nos armários da Descolândia como representantes legítimos do estilo de seus donos.

Mas toda caneca esconde um drama – ao menos na visão daqueles que, como eu, adoram um café quente e gostam de toma-lo demoradamente. Em poucos minutos, com raras exceções, toda caneca deixa o café… esfriar. E aí, ela pode ser divertida, clássica, rara ou até do Star Wars. Não tem jeito: perde a magia.

Pensando nisso, uma startup americana decidiu mudar esse jogo. A Ember, que já havia lançado uma garrafinha de café inteligente de 150 ml, agora volta ao mercado buscando mudar um paradigma: como consumir mais e melhor o nosso café “in loco”.

Por US$ 80 (ou R$ 280,00), você leva para casa a caneca de cerâmica conectada e que mantém seu café/chá/achocolatado/sopa (e o que mais vier) na temperatura que você quiser – e pelo tempo que você desejar.

Escolhida como “invenção do ano” pela Time Magazine, a peça é controlada via aplicativo próprio: ele notifica o bebedor assim que o líquido atingiu sua temperatura preferida (entre 48ºC e 62ºC) e ainda oferece predefinições para diferentes bebidas.

Um LED personalizado indica o andamento do processo e é igualmente possível alternar entre graus Celsius e Fahrenheit.

Sim, são 280 pratas por uma caneca. Mas o sucesso foi tanto, que ela está em falta em muitas das 100 franquias da rede Starbucks, onde começou a ser vendida. No site, os pedidos se amontoam.

Tecnologia

A caneca aparentemente básica e sem graça tem por trás (ou por dentro) uma tecnologia replicável para mamadeiras, garrafas infantis, entre outras aplicações. Então por que apostar no café como chamariz?

Segundo o CEO da Ember, Clayton Alexander, criar uma caneca foi uma escolha baseada na quantidade de vezes que as pessoas bebem o líquido por dia. “Todo mundo toma café e as pessoas têm gastado cada vez mais para tomar bons blends”, justificou ele à Revista Inc. “Fora que todo mundo sabe o quanto enche o saco tomar um café morno.”

Aquecer e esfriar líquidos, lembra Alexander, não é o mais difícil. Duro mesmo é manter o cafezinho na mesma temperatura.

Os primeiros testes demonstravam que a água aquecia demais, depois voltava a esfriar, num balé sem graça. A saída foi criar um método próprio, com anéis de aquecimento e elementos que esfriassem a caneca. Assim que o líquido começava a dar sinais de esfriamento, os anéis aquecidos entravam em ação.

Para tornar a caneca atrativa, Alexander convidou a Ammunition – responsável pelo design dos fones by Dre.

O primeiro protótipo saiu cheio de botões e interruptores, mais parecendo um gadget. Foram meses de moldes, até a chegada ao resultado final, em cerâmica e embedada com a alta tecnologia que aparece na foto em destaque neste artigo.

“Nós não estamos tentando reinventar como você segura sua caneca nem a maneira como você a aproxima da boca. Apenas implantamos nela alta tecnologia”, concluiu Alexander, na Inc.

E você, pagaria R$ 280,00 pela caneca da Ember?

#1 LinkedIn Top Voices / Head na Tawil Comunicação

Jornalista, radialista e escritor. É head da Tawil Comunicação, agência que fundou em 2010, em São Paulo. É comentarista da Rádio Globo (94,1 FM), SAP Marketing Influencer e diretor de Comunicação do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Atua como coordenador na Câmara de Comércio França-Brasil e participa ativamente de instituições, como conselheiro e embaixador, ligadas às causas do Refúgio, Educação, Igualdade Racial e Comunicação.