Coworking não é Lan House: a importância da etiqueta nos espaços compartilhados

Como performar melhor em espaços compartilhados

Nos últimos dias, aqui em São Paulo, estive em quatro coworkings: o PlugCLXT, o Cubo e os WeWorks Paulista e Faria Lima. Quatro espaços compartilhados com características distintas e, em alguns pontos, bastante complementares. Todos, sem exceção, abrigam em suas salas e mesões cabeças que têm revolucionado a economia compartilhada do nosso País.

Como agência que sou, visita-los cada vez mais e até locar espaço em alguns deles está em meu radar e, certamente, no de muitos empreendedores da comunicação.

Apesar das diferenças de perfil, os quatro possuem ambiente leve e coworkers estampando nos rostos uma imensa vontade de vencer.

Mas, infelizmente, só vontade de vencer não basta. As chaves do sucesso, aqui, passam por talento, alta produtividade, organização e foco.

E é aí que entra o desafio: como performar em um ambiente compartilhado? Como manter-se focado, em meio à falação, risadas, bateção de canecas de café (ou chopp) e, sobretudo, dividindo espaço com inconvenientes de plantão?

Convém lembrar que, diferentemente das impessoais e gamificadas Lan Houses, nestas novas “comunidades intencionais”, reencontrar-se com os vizinhos no dia seguinte é mais do que comum.

Navegando por aí, e exercitando os neurônios daqui, redigi sete regrinhas de etiqueta para você que acaba de desembarcar em um dos 810* coworkings ativos no Brasil:

1. Não grite nem gargalhe ao telefone

Pedir silêncio sepulcral em um ambiente que abriga 10, 20 ou 30 empresas é utópico, vá lá. Mas o silêncio é sempre bem-vindo para quem está concentrado. Como fica impossível passar o dia de fone de ouvido (e nem é recomendável), deixe para ter conversas difíceis ou muito divertidas em espaços que não atrapalharão o outro. Tom de voz normal é mais do que suficiente, mesmo em espaços cheios de gente.

2. Não faça o pidão

Costumo fazer um checklist das coisas imprescindíveis para mim no dia-a-dia, antes de carregar minha mochila de trabalho: devices, cabos, tomada, bateria externa, kit de higiene pessoal, cartões de visita… Claro que esquecer um item ou outro pode acontecer e pedir emprestado não é vergonha, desde que não seja uma escova de dente. Fazer disso um hábito, entretanto, vai espantar as pessoas.

3. Ô abram salas, que eu quero trabalhar

Um dos grandes trunfos dos espaços compartilhados são as salas partilhadas, sejam de conferência, sejam de reunião. Todas têm, até por conta do core business dos coworkings, horários de uso e limitações. Passar da hora combinada e se preparar para desocupa-la em tempo hábil para ela ser usada por colegas não é questão de respeito, mas de bom senso e profissionalismo.

4. Seja (ou tente ser) amigável

Para quem é naturalmente sociável, coworkings são os melhores lugares do mundo. Para quem é tímido ou retraído, são uma oportunidade de mudança. Já para os rudes de plantão, podem ser a última morada. Manter-se civilizado, saber ouvir as demandas de vizinhos e saber compartilhar são regras de ouro para a boa convivência. Se você é bruto – e sabe – evite espaços compartilhados. Poupe-nos!

5. Mantenha o ambiente limpo

A maioria dos escritórios compartilhados possui sua própria equipe de limpeza. Lavar a própria caneca, não comer (e espalhar os restos) sobre mesas destinadas ao trabalho, não entupir o vaso sanitário nem deixar restos seus espalhados por todos os cantos, entretanto, faz uma imensa diferença para o ambiente do grupo. Viver em comunidade também passa por ajudar a organizar e a limpar.

6. Respeite o olfato alheio

Perfume demais ou desodorante de menos são problemas seus, desde que você use (ou não) dentro de casa. Em um ambiente compartilhado, odores demais ou de menos são um problema, uma vez que há colegas sensíveis a aromas e até alérgicos a determinados tipos de essência. Mais uma vez, o bom senso é quem determina a regra. Uma saída é questionar o colega, se ele se importa com o(s) seu(s) cheiro(s).

7. Não banque o espaçoso

Boa parte dos novos coworkins possui áreas comuns e restritas. Se você está sozinho na área e com permissão limitada para circular, evite transitar e ter chamada a sua atenção. Lembre-se que, se você está em um coworking, você é um adulto em meio a outros adultos. Fazer o outro bancar o bedel é desagradável para todos.

* Para se ter ideia da importância de aprendermos a trabalhar em comunidade, basta dizer que no Brasil, segundo o Censo Coworking Brasil 2017, havia até fevereiro 810 espaços compartilhados de trabalho, com 56 mil vagas e 210 mil profissionais mensalmente ativos.

Nos Estados Unidos, estudos mostram que, em três anos, a metade da força de trabalho será independente, isto é, pode não mais vir de escritórios sisudos e com portas bem trancadas.

 

Sócio-Diretor na Tawil Comunicação / Nº 1 LinkedIn Top Voices


Jornalista, radialista e escritor. Dirige a Tawil Comunicação, agência que fundou em 2010, em São Paulo. É vice-coordenador na Câmara de Comércio França-Brasil, conselheiro deliberativo do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, conselheiro consultivo do Grupo Comunique-se e do Adus | Instituto de Reintegração do Refugiado. Atua, ainda, como 1º Embaixador Corporativo Cabify Empresas no Brasil.