Inovação no ensino: aprendendo na era da Transformação Digital

Inovação no ensino  aprendendo na era da Transformação Digital

Ao pensar sobre a inovação do ensino, podemos cometer o erro de focar nas novas tecnologias. No entanto, elas são apenas poderosas ferramentas que podem contribuir para mudar a forma que educamos e aprendemos.

Aplicativos, plataformas, recursos para atividade a distância, inteligências artificial e outras ferramentas são capazes de proporcionar maravilhas no setor. Mas, antes disso, precisamos refletir sobre as necessidades de aprendizado que os talentos têm para que possam promover a Transformação Digital.

Pronto para fazer essa “viagem” conosco? Então continue a leitura! Esse é um dos temas mais importantes para quem está consciente em relação às mudanças que já começaram. Afinal, a educação é base para a transformação.

Os obstáculos à inovação do ensino

Cultura do acerto

Nosso modelo educacional se baseia em testes como forma de avaliar os resultados dos alunos. Trata-se de uma abordagem objetiva sobre a absorção do conhecimento, que envolve uma cultura na qual o erro tem baixa aceitação.

Acontece que o conhecimento não é algo tão categórico, ou seja, que não admite dúvidas, perfeitamente definido e indiscutível. Quando colocamos a teoria em prática, nem sempre são produzidos os resultados desejados.

A nova educação precisa ser capaz de trabalhar a experimentação como forma de demonstrar que não somos infalíveis, e a persistência e a resiliência são essenciais para aprender com os erros e produzir inovações.

Falta adaptação ao aprendizado contínuo

Falamos o tempo todo sobre a necessidade de aprendizado contínuo. No futuro próximo, os profissionais precisarão se reinventar o tempo todo, dificilmente permanecerão em uma mesma atividade por toda a vida e precisam de uma solução para isso.

Mas ela está disponível? Não é o que parece. O nosso modelo educacional é baseado em programas com começo, meio e fim. Ainda carecemos de formatos mais dinâmicos e propostas de educação continuada nas escolas e empresas.

Foco nos “resultados” errados

A McKinsey relatou um caso interessante. Damian Ewens, diretor do Opportunity@Work , narra a conversa de um chefe de departamento de ensino com seus subordinados sobre como eles poderiam se adaptar às novas demandas de ensino. Nela, surge a pergunta:

“— Quais são os seus resultados? — um programa de melhoria havia sido executado nos 6 meses anteriores.

— Temos uma taxa de 90% de colocação no mercado de trabalho.

— Não. Não. Quais são seus resultados?

— Todo mundo consegue um emprego.

— Eu ouvi isso. Preciso saber quais são seus resultados.”

Ou seja, o modelo educacional prioriza a formação de profissionais para que eles consigam um emprego. No Brasil não é diferente. Nos não somos educados para construir e realizar nossos sonhos, mas para trabalhar em uma boa colocação. Como isso poderia contribuir para a inovação?

O caminho para a transformação no ensino

Foco em competências

A educação precisa atender às demandas de competências para realização de atividades, no lugar de fornecer programas formais que permitam falar com propriedade sobre elas. Ou seja, não se trata mais de relacionar temas e áreas de estudo relativas a um título — cálculo estrutural para um engenheiro, por exemplo.

É elementar que um engenheiro precisa saber sobre estruturas, mas quais as competências ele precisa desenvolver para atuar na sua área? Mais do que conseguir um trabalho, ele precisa realizar feitos.

Ensino estimulante

Recentemente, debatemos no Brasil sobre a obrigatoriedade do ensino da filosofia. Independentemente de nossa posição em relação a isso, essa área parece um bom exemplo de quão pouco estimulante é o nosso ensino.

A maioria de nós gosta de pensar sobre os dilemas da vida. A forma como nos relacionamos e sobre algumas perguntas sem resposta. Desde pequenos questionamos de onde viemos e para onde vamos. Esses são temas filosóficos, mas poucos estão realmente interessados no estudo formal da história da filosofia.

A lógica, a teoria sobre como aprendemos e como nosso cérebro funciona são campos da área — ao ponto de temos filósofos envolvidos em pesquisas de IA. Mas, por algum motivo, a escola ensina a parte menos estimulante.

Aprender precisa ser um prazer, ainda que exija esforço. Além disso, é fundamental pensar sobre a utilidade de cada tema no desenvolvimento das competências necessárias à transformação em curso. Ou seja, mais do que inovadora, a educação precisa fornecer subsídios para que as pessoas desenvolvam a capacidade de usar seu lado humano e inovar.

Relacionamento ampliado

Um dos nossos maiores problemas é a ideia de que a escola pode ensinar sozinha. Impor essa carga para o ensino formal é lhe atribuir uma tarefa impossível. A comunidade precisa se envolver, e os centros de ensino e treinamento precisam se aproximar da sociedade. Essa visão é unânime entre educadores, mas na prática existem barreiras que precisam ser transpostas.

Não importa se estamos falando de um curso universitário ou de um programa contínuo de treinamento empresarial. Os programas não podem mais partir de cima para baixo. O planejamento precisa ser descentralizado, e as demandas precisam estar tão claras quanto for possível.

Incorporação do digital

Talvez exista algum momento em um treinamento ou curso formal que os celulares precisam permanecer desligados. Mas na era da Transformação Digital, isso é realmente preciso?

Ainda há muito para inovar com a incorporação do digital ao dia a dia do aprendizado, no que envolve a comunicação dos envolvidos e interessados, na rotina do educador e na prática do ensino.

Embora tenhamos mencionado na introdução deste texto que a tecnologia não faz o trabalho sozinha, ela é parte integrante da solução. Com o foco certo e com base em uma abordagem humanizada, as plataformas digitais, a realidade virtual, a inteligência artificial e o exercício do aprendizado autônomo no ambiente digital são fundamentais.

Para concluir, vale mencionar que a inovação do ensino não está limitada à escola, mas envolve toda comunidade; os pais, especialmente nos estágios mais básicos; empresas; instituições; e iniciativas sociais. Isso inclui os clientes. Eles também precisam ser educados, e o conteúdo que é disponibilizado para ele pelas empresas pode perfeitamente ajudá-lo a desenvolver habilidades.

O que contribui mais para a reputação de uma marca do que sua capacidade em demonstrar que é uma autoridade nos assuntos de sua área de atuação? E que demonstra isso contribuindo para a inovação do ensino? Todo e qualquer tema que demonstre um problema é uma oportunidade para as organizações capazes de aproveitá-lo.

Preparado?